As palavras que a gente não espera, chocam…

Daniel Ribeiro me escreveu pedindo autorização para publicar um post meu em seu mural. Eu disse que não haveria problemas. Horas depois recebo outra mensagem dele, dizendo que havia publicado e que gostaria que eu visse, de antemão já se desculpava por alguma palavra que pudesse me ofender. Pensei comigo: fodeu!
Eu vou compartilhar o que li aqui, não por ego ou coisa que o valha, mas por ser algo atípico pra mim.
Soma-se ainda que me aceitar como artista ainda está sendo um processo. Sempre que eu digo a bendita frase “sou um artista”, sinto um aperto estranho dentro de mim. O mesmo acontece quando eu digo que “sou historiador” ou “professor”. A frase até sai, mas no íntimo, querendo entrar pelo meu umbigo e abraçar as minhas entranhas, como quem diz: “não quero ir mãe”! Não, não estou escrevendo isso agora pra fingir humildade ou soar legal…
Quando preciso escrever um bendito – e ao mesmo tempo simples – currículo é um sofrimento. Ter que falar do meu trabalho então? Prefiro a forca. rs
A verdade é que não me sinto pronto, não sinto que posso dizer – com tranquilidade – que sou alguma coisa apenas por achar que sou. Estou em processo pra ser, talvez um dia eu me sinta sendo algo e assim poderei encher a boca e bater no peito. Deve ser legal poder fazer isso. Mas também já me contento com o fato de morrer não me sentindo nada. Inclusive preciso dizer que muito admiro quem consegue assumir que é tantas coisas sem base ou fundamento algum, não é ironia, de fato eu os admiro. Mas eu não consigo. Anos atrás eu disse que cada vez mais eu queria ser menos…

Através dessas minhas experiências todas, seja na vida-arte, na história ou na educação, fazem com que eu me sinta mais humano. É isso o que eu gostaria de dizer: sou um humano. E desejaria muito não precisar de um pedaço de papel pra provar o quanto eu sou bom ou ruim. O coração deveria ser suficiente. Infelizmente, mas muito infelizmente mesmo, não nesse mundo, não nesse tempo, não aqui…

As palavras do Daniel, que dispensavam desculpas, me deram a sensação de que um caminhão passou e repassou sobre mim. As palavras trouxeram a forte sensação de que tenho mergulhado fundo nessa coisa de ser humano e isso valeu.
Agradecido por tudo caro amigo.

“Como sempre digo:
“O fim do mundo para uns ou O começo de um mundo melhor para outros”

Este poderia ser mais um post da série, mas acho pouco dizer só isso. O Thiago Soares Guarani Kaiowá é um body artist que me foi apresentado, obviamente pela Emilia Aratanha (obrigado Emilia. Ele assim como você são pessoas especiais por quem tenho profunda admiração). O Thiago usa o próprio corpo como mídia para sua arte, assim como os pintores usam a tela, o corpo dele é sua própria tela.

Tenho uma profunda admiração por esses artistas e por essa arte. Usa o próprio corpo é marcar para sempre uma história e se privar da possibilidade de esquecê-la ou se envergonhar dela num futuro. Gente como o Thiago não pode dizer uma coisa hoje e depois dizer que não disse. O que ele faz, a arte que ele mostra para o mundo não pode ser desmentida, queimada, rasgada ou destruída. Ele pode, sim, dizer que mudou de opinião. Que vê o mundo com outros olhos, mas sempre consciente de que as mudanças só acontecem através de um percurso histórico. Que o que foi resulta no que é e não podemos fugir disso.
Mudança é a arte do Thiago. Ele não é o mesmo depois de suas performances, ele ganha cicatrizes. Seu público não é o mesmo depois de suas performances, como disseram “uma mente nunca volta a sua forma original depois de espandida”. O Thiago faz algo que admiro muito: ele me provoca. Ele me provoca a pensar, a rever, a repensar, a refletir. Eu não olho pro trabalho dele e penso: olha que bonitinho. Eu sou sempre obrigado e me colocar em cheque, a me estudar e me enxergar.
Nos parece tão agressivo quando alguém marca o próprio corpo, quando alguém se fere, faz greve de fome. E nos parece cada vez mais natural quando alguém mata o outro. Pensamos: é triste, mas faz parte. O trabalho do Thiago é agressivo para você? Não é agressivo ver uma garotinha de dois, tres anos ralando na boquinha da garrafa? Por que então vejo sorrisos pra criancinha e narizes torcidos pra esse artista?
Gostaria de convidá-los a conhecer o trabalho do Thiago. A refletir. Pensar se quando ele se pendura em ganchos, se ele quer só se pendurar em ganchos. Se ele marca o corpo pra ficar bonito? Ou se existe algo além disso. Se ele realmente está dando passos para mudar o mundo a sua volta.
Artistas como ele devem aparecer. Devem fazer parte do debate. Devem ser respeitados e mais que isso, protegidos. Devemos proteger aqueles que nos provocam. Devemos proteger aqueles que nos provocam. Devemos proteger aqeles que nos provocam. Somento quando rompemos com algo que a mudança acontece. Somente quando questionamos, refletimos e fazemos algo diferente, podemos mudar.
Thiago, a você o meu maior respeito.

Mas essa é só a minha opinião.”

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