Entrevista sobre tatuagem

Curso: Antropologia
Universidade: Universidade Federal de Minas Gerais

1-O que te levou a tatuagem?

A necessidade de colocar em meu corpo – através de marcas –símbolos que representassem a minha vida. Meus gostos, meus momentos, minha história.

2-Pode me dizer se mudou algo quando você começou a se tatuar?

A sensação de pertencimento – algo como “esse corpo é meu” – se tornou maior ou talvez a consciência disso tenha se pontuado. Também teve o outro lado, quando assumi as marcas corporais aparentes, isto é aquelas que não se escondiam mais pelas roupas, me exclui de uma parte da sociedade. Passei a ser desqualificado – e julgado profissional, intelectual e moralmente – para exercer diversas funções por conta da minha aparência física.

3-Existe um você “antes das tattoos” e um “depois das tattoos”?

Sim, de fato foi uma experiência que teve impactos em minha vida. Mas é algo muito pessoal e particular, talvez para outra pessoa esse “antes” e “depois” possa ter ocorrido após ter aprendido a andar de bicicleta ou se posicionado de acordo com sua orientação sexual. São experiências…

4-Como as pessoas próximas a você reagiram/reagem?

Meus amigos estavam envoltos nessa coisa da tatuagem e das marcas corporais, talvez eu tenha sido mais um. Para minha família foi normal, eles já tinham sofrido o impacto quando comecei com os piercings anos antes. O problema passou a ser quando deixou de ser “uma tatuagem” para diversas…
Ter uma tatuagem pequena já deixou de ser um problema na sociedade faz um tempo, agora ser bastante tatuado…

5-Qual a reação das pessoas quando você está circulando em locais públicos com suas tatuagens a mostra?

Não sei. Minha mãe e alguns amigos dizem que as pessoas olham muito… Sinceramente eu não vejo ou percebo… O que é bom e também “ruim”, pois rola umas paqueras de vez em quando e eu sou tão desligado que passa batido. rs
Brincadeiras de lado, em casos particulares em que grupos de jovens – e sempre em grupos, pois são sujeitos covardes – querem “curtir o rolê” e fazem piadas, apontam, gritam e etc… Mas para mim atitudes do tipo e ver um cão defecando são similares.

6- Existe algum estranhamento ou não? É possível contar algum fato de estranhamento, caso este tenha ocorrido?

Tudo que foge das regras sociais cria um estranhamento e vale frisar que nem sempre é ruim. Tem o olhar de estranhamento de curiosidade, do “novo”, da vontade, da identificação e etc…
Já o olhar daquele estranhamento que beira o escárnio a gente já conhece bem, não preciso ficar repetindo.
Tenho casos gostosos de mencionar de senhoras que ficam me olhando de longe e se aproximam pra elogiar. E tem aqueles em que fiquei sem conseguir emprego por meses, por conta desse tal estranhamento.

7-Como as crianças reagem ao ver suas tattoos?

Meus sobrinhos sempre gostaram um bocado. De lembrança, teve 2 ou 3 casos em que as crianças ficaram com medo de mim, em todos esses casos eram crianças criadas dentro dos preceitos do cristianismo, que é algo que me preocupou.
Nas escolas temos a reprodução do estranhamento que mencionei acima, mas quase sempre se desmancham em uma aproximação somada de conversas interessantes. Mas o que sinto é que normalmente as crianças se divertem, o que é ótimo.

8-Já reparou a reação de pais/mães (constrangidos ou não) frente à curiosidade do filho ou filha a ver você ou alguém tatuado no dia a dia?

Quando uma criança dispara a perguntar coisas e querer tocar as tatuagens, os pais sempre ficam sem saber onde enfiar a cara e se desculpam. rs

9-A sua primeira tatuagem foi exatamente o que você queria? A ideia do que você queria e onde você queria sofreram modificações por conta da conversa com o tatuador? Após a primeira, alguma outra passou por processo similar?

Sim, foi exatamente o que e como eu queria, ainda assim o tempo trouxe coisas novas e eu a cobri.
Atualmente eu gosto de conversar com o tatuador e chegar junto em algo bacana. Tem funcionado bem e atendido minhas necessidades.

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