Trinta e sete

Osasco, 13 de Janeiro de 2018.

Estou vivendo os últimos momentos dos meus trinta e seis. Ao que parece entro no que se tornou o meu ritual de todo ano. Sento, coloco minhas músicas prediletas, releio o que escrevi nos últimos anos… Respiro fundo. Preparo-me para escrever. Caminhos para os trinta e sete.

Fazer aniversário agora é passar por algumas etapas:
1) Sentir ansiedade por pensar em programar alguma coisa;
2) Chegar a conclusão que não sei mais fazer uma festa de aniversário;
3) Pensar em fugir para o mar;
4) Desistir de tudo e tentar agir como se fosse um dia normal. Estar em ambientes que não saibam que estou aniversariando;

Não é problema algum com a idade ou com o fato de estar a envelhecer. Não é também porque sinta que eu não mereça celebrar o dia em que nasci. Mas é pura e simplesmente por ter desenvolvido uma dificuldade em lidar com as interações da cerimônia do aniversariar. Cada ano que passa mais difícil se torna. Ainda assim, se eu estiver com vida até os 40, pode ser que a data seja celebrada. Ou pode ser que eu fuja para o mar… Não sei.

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Sei que estou a envelhecer. As marcas no meu corpo começam a sinalizar que o tempo está passando para mim. As pessoas partindo desse plano sinalizam que a areia da ampulheta não cessa de cair. As crianças crescendo e ganhando o mundo como a regra de ouro da vida diz. Tudo é complexo.

Tenho mergulhado mais fundo na solidão. Tenho enfiado o bisturi um pouco mais fundo em mim. Tenho buscado melhorar enquanto gente, creio que seja a minha grande jornada e batalha da vida. Tenho lutado bravamente para manter o equilíbrio e a coerência entre a minha fala e as minhas ações. Tenho me sentido em conexão profunda com a natureza. As furiosas ventanias que sacodem as árvores e fazem subir o cheiro de terra me causam uma profunda comoção espiritual. O meu corpo inteiro treme e sente. Algo para além dele também… Sente. Contempla.

E assim vou seguindo…

Eu não faço ideia do que os trinta e sete me reservam, mas eu estou aqui. Eu ainda estou aqui. Firme e forte. No olho do furacão da impermanência, fazendo amor com as metamorfoses e oferecendo os meus orgasmos ao cosmos. Luz.

Paz,
T.

 

 

 

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