Discurso por uma escola livre e inclusiva

Osasco, 11 de Setembro de 2017.

Bom dia para todas, todos e todes aqui presentes.
Recebi o convite do diretor Marcos Neves para também abrir os trabalhos dessa semana com uma pequena fala. Gostaria antes de tudo, dizer sobre a liberdade em poder falar, a liberdade de poder se expressar livremente aqui e agora, o que para nós – profissionais da educação – é não só uma conquista, como também uma eterna luta para que esse espaço – a escola – não se estreite, não se apequene, não se torne obscuro novamente. Mordaças não cabem em um espaço onde expressar opiniões, reflexionar sobre o mundo em que vivemos e o que queremos viver e inclusive divergir no campo das ideias seja parte de um complexo e extenso processo de se tornar gente. Não aceitaremos mais os porões, nem os tempos de chumbo. “Pai, afasta de mim esse cálice. Afasta de mim esse cálice, pai”.

Não aceitaremos tranquilamente que a escola pública seja excludente.
Não aceitaremos que a escola pública rejeite as pessoas por conta de suas mais variadas diferenças e particularidades.
Não aceitaremos que exista evasão escolar por conta de violências como o racismo, o machismo, o capacitismo, a gordofobia, o bullying, a xenofobia, a homolesbo e transfobia.
Convido todas as pessoas aqui presentes a trabalharem por uma escola inclusiva, um mundo inclusivo e lutarem pela justiça social em todas as esferas da vida.

Esse espaço, a escola, precisa ser acolhedor e seguro para todas as pessoas. E quando falo todas as pessoas, estou falando: todas as pessoas, de verdade.

Estudei nesse espaço da primeira série até o antigo 3º colegial. Foi aqui que me alfabetizei. Foi aqui que construí parte da minha vida. Foram nessas escadas que me sentei inúmeras vezes para tomar o meu lanche em alguma tarde de primavera quente, com os dias de agora. E foi ali, exatamente ali naquele canto, que suspirei mais fundo por sentir que tinha me apaixonado. Foi lá que me escondi quando me ofendiam ou me tratavam de modo hostil. E ali, naquele espaço eu ri muito, de perder o ar, com as minhas amigas, que insistentemente me chamavam de miguinho.

Quantos sonhos, quantos sonhos… Aqui eu ri, chorei, dancei, cai e levantei. E em uma dança de cair, levantar e sacudir a poeira, eu me tornei o que sou hoje. E é graças a esse espaço – que retornei recentemente – que continuo construindo aquilo que eu sou. Gosto de pensar que nós nunca estamos finalizados, prontos, acabados ou coisa que o valha e, sim, que somos como constantes obras em progresso. Todo dia a gente pode melhorar um pouco aquilo que somos.

Eu voltei! Aqui estou eu novamente. Não sei por quanto tempo, mas veja, fico feliz em dizer para vocês que quase metade da minha vida foi compartilhada nesse espaço e com as diferentes pessoas que habitaram e habitam aqui. Fico feliz em dizer que tenho um grande amor pela minha profissão e é esse sentimento que me tira todo dia da cama para vir aqui não só ensinar, mas aprender, trocar, compartilhar, doar, receber, viver, viver, “viver e não ter a vergonha de ser um eterno aprendiz”, como já dizia a canção.

Eu queria dizer para vocês que o tempo passa rápido demais, a maioria das vezes mais rápido do que podemos acompanhar. Logo a maioria de vocês não estarão mais aqui nessa escola e vão perceber que o mundo é de vocês e acreditem, vocês são incríveis e podem fazer coisas incríveis mundo afora. Assim é também na vida… Pessoas vão entrar e vão sair de suas vidas, mas algumas vocês vão sempre ter no coração. E com o tempo que se gasta e se esgarça, tudo vai ganhando novos significados, mas o que está guardado no coração… Valorizem, cuidem com ternura!

Aproveito esse momento para agradecer publicamente pelos dias que tenho passado aqui ao longo desse ano. Eu agradeço de todo coração pela recepção de vocês. Agradeço pela recepção de toda gente que faz essa escola funcionar. Agradeço pelo carinho e pequenos gestos que transformam a vida em um lugar melhor. E deixo um agradecimento bastante especial para as minhas alunas e alunos, minhas primeiras turmas de uma jornada que apenas se inicia agora. Que a vida de vocês sejam iluminadas e que nos encontremos sempre nas curvas dessa coisa que se chama vida.

Viva a educação pública! Viva!

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