Acreditar sempre!

Quando recebi o convite do amigo Andre Fernandes para fazer uma performance no encerramento do 1º Congresso Internacional de Piercers Profissionais do GEP me senti bastante feliz e ao mesmo tempo com aquele frio na barriga pela responsabilidade.

Hoje publiquei em meu portfólio digital as fotos do trabalho apresentado no evento – que você pode CLICAR AQUI para ver – e agora gostaria de escrever algumas linhas complementares.

Toda vez que eu olhava para programação do evento eu pensava no Enzo com muita intensidade, pois sabia que as pessoas que participariam eram também suas referências, inclusive, algumas delas estariam vindo ao Brasil pela primeira vez. No meu coração sentia que precisava de alguma forma providenciar esse encontro, ainda que de uma forma poética e simbólica. Com essa energia que foi nascendo o trabalho E.volua, que era inclusive o nome que o próprio Enzo usou em seu projeto enquanto body piercer.

Nesse processo de construção artística visitei as minhas mais remotas memórias de vida compartilhada com o Enzo, revi as nossos fotos, vídeos, conversas e uma entrevista que fiz com ele, uma das poucas disponíveis online e que você pode CLICAR AQUI para assistir. Não foi nada fácil fazer tudo isso, tinha momentos que sentia meu coração sendo esmagado pela saudade e por uma raiva sem sentido de saber que nunca mais iríamos nos ver nesse plano. Faltava ar. Em outros tantos momento era tudo doce e fácil, há coisas que não lembrava mais e outras que estão sendo ressignificadas com o passar do tempo.

Busquei trabalhar com vários elementos muito particulares, específicos e únicos nessa ação. A trilha sonora, eram as músicas que ouvíamos. A calça branca que usei, foi um presente que ganhei do Enzo depois da performance O peso do cinza e as memórias de nós (2012) que fizemos na Virada Cultural. As joias que usei nas minhas conchas das orelhas, assim como meus alargadores de nariz, também foram presentes dele. Construí um grande colar com dezenas de papéis com a frase Acreditar Sempre, que era algo que ele tinha tatuado e repetia insistentemente e que, ele nem sabia, mas me ajudou tantas vezes a acreditar em mim mesma. O colar era uma clara referência ao japamala que ele sempre usava. Entreguei essas pequenas frases para as pessoas que assistiam a ação. Outras palavras estiveram presente, como a frase que era tatuada em seu rosto e que hoje está em minhas mãos, O amor é a resposta não importa qual seja a questão.

Toda movimentação estava baseada nas memórias físicas que escavei nesses dias todos que antecederam a performance. Como no dia em que estávamos em Curitiba e esmaguei ele no meio das minhas pernas e ele ficou assustado com a minha força, era engraçada a expressão dele. Como no dia em que ele contou que estava conseguindo segurar o próprio pé enquanto suspenso e dizia que um dia iria ter a mesma flexibilidade que eu no ar. Tudo ali tinha uma história, uma memória, uma risada, uma lágrima, uma piada, um abraço…

Iniciei a performance com a cabeça toda coberta. Enzo era uma pessoa extremamente tímida e introspectiva e na maioria das vezes em que ele se suspendeu e/ou fez alguma performance comigo, seu rosto estava completamente coberto. Eu nunca entendi o que ele queria esconder ou dizer com isso. Eu nunca quis entender também. Era apenas o momento dele, a forma dele viver aquilo tudo e eu apenas respeitava sem questionamentos. Então ele cobria o rosto com lenços, máscaras de coelho, do homem aranha e assim por diante. Ele escondia o rosto e deixava visível uma potência física poderosa e que me faz muita falta nos dias de hoje. Tanta falta que nem sei mensurar.

Levar essa performance para o encerramento do Congresso, era ao mesmo tempo dizer que a nossa história é única, é importante e que precisa ser registrada, documentada para que não nos tornemos poeira ou lenda. Dizer que a vida é breve. Levar essa performance até lá era também para homenagear uma pessoa que eu sempre vou amar, até o meu último dia, e espalhar essas sementes do amor com mais mãos. Levar essa performance até lá era também para dizer para que as pessoas não desistam de si, dos seus sonhos, de suas vidas. Levar essa performance até lá era para que o Enzo pudesse estar ali presente com a gente – como piercer que era – e sinto que ali, naquele momento, ele esteve muito vivo em muitos corações. No meu ele estava pulsando sorridentemente como nos anos que ficaram para trás.

A vida é breve e o que a gente faz é o que fica.
Essa foi para você, meu amor. Saudades.
O amor será sempre a resposta.

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