Estamos nos tornando pedras…

Pessoas queridas que fazem parte do meu ciclo mais próximo de afeto e também aquelas que acompanham os meus trabalhos ou se sentem conectadas de alguma forma com a minha pessoa, por favor, puxem a minha orelha.

Se um dia eu for uma pessoa escrota, der aquele close errado, falar ou fazer uma grande bobagem que ofenda alguém, por favor, não passem a mão em minha cabeça. Por favor, não façam isso. Ao contrário, pontuem o erro, diga que eu errei, não compactuem com sistemas de violência que por uma desventura do destino eu possa vir a colaborar na reprodução em algum momento. Por mais que algumas questões sejam muito claras para você, pode não ser para mim, então puxe a minha orelha. Por favor, puxe.

Eu já falei e fiz muita bobeira ao longo da minha vida, mas se hoje eu sou uma pessoa um pouco melhor do que fui no passado é porque alguém me notificou, me orientou, me chamou a atenção e -não é vergonha dizer – que isso tenha acontecido muitas vezes de modo áspero e duro. Eu quero ser uma pessoa melhor, sabe?

Eu quero realmente melhorar como gente, todo dia um pouco mais e sei que isso dá trabalho e leva tempo. Se vocês simplesmente passam a mão em minha cabeça, não importando a atrocidade que eu cometa, isso não se realiza. Estou falando de mim e você, mas pense que esse é um tipo de pacto que afeta milhões de pessoas. Olha o mundo…

Em tempos de redes sociais é muito triste ver pessoas produzindo e/ou reproduzindo violência do mais variado tipo, algumas bastante sérias e graves inclusive, e sempre ter um grupo de pessoas para dizer que “estamos com você“, “as pessoas deveriam cuidar de suas vidas“, “não liga para esses estúpidos“, “foda-se” e coisas do tipo.  Obviamente que isso é feito nas melhores das intenções, pretende dar um apoio moral e suporte, mas na realidade isso não é ajuda não, muito pelo contrário. É como um apoio falso – no sentido que se desmonta -, é armadilha. Faz com que a pessoa não pare para se analisar, não perceba que errou, não perceba a gravidade da falha e, por fim, não possa melhorar como gente. Isso é muito sério. Olha o mundo…

Estamos vivendo um tempo tão doente que as pessoas não se desculpam mais, porque elas realmente acreditam que não erraram e/ou que se erraram “foda-se“. Existe esse eco insistente que fica entonando “você é o cara, foda-se o resto” e, com isso, vamos nos tornando pedra, no sentido da frieza, da dureza e da imutabilidade. Embora há pedras mais aquecidas, maleáveis e mutáveis do que gente. Podemos ser mais do que isso. Podemos ser um pouco melhor do que fomos ontem.

Por favor, não passem a mão em minha cabeça quando eu for uma pessoa escrota ou equivocada, puxem a minha orelha. Por favor, puxem forte.

T.

 

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