Linda de doer a conversa que tive com o Meyer para o Singularis

(…) e se lá trás alguém dissesse que no futuro eu sentaria do lado do Andre Meyer para entrevistá-lo eu no mínimo iria sorrir. E sorri com gratidão quando isso aconteceu.

O Meyer marcou a minha história e o que obviamente literalmente passa pelo meu corpo. No auge da MTV brasileira, MMM, Galeria Ouro Fino e do próprio piercing em si, ele era o cara que estava ali no front. Para completar ainda tocava música eletrônica!

Eu era uma pessoa adolescente de periferia, cheia de sonhos, deslumbrada com as possibilidades estéticas e éticas que eu não sabia que poderiam ser reais. O Meyer era tipo uma celebridade no meio underground (e além dele também) e eu costumava brincar com meus amigos que um dia ele estaria bebendo aqui em casa com a gente. A gente ria, porque isso realmente era algo distante de acontecer.

O tempo passou, as modificações corporais foram ocupando um espaço cada vez maior em minha vida. Resolvi fazer meu branding e tive a felicidade de que o procedimento fosse feito pelo Meyer. Era algo grande, muitas queimaduras e que precisava ser feito em etapas. Nunca vou esquecer que ele falava do cheiro da pele queimada em tom de brincadeira. O cuidado com a respiração que ele me orientou ajudou que o procedimento fosse o mais tranquilo possível. Nunca vou esquecer da sensação fabulosa que sentia ao subir a Rua Augusta para ir pegar o ônibus e voltar para casa. Ninguém sabia o que eu tinha feito ou pelo que eu tinha acabado de passar, mas eu andava pela rua como se o mundo soubesse que ali, naquele momento eu era somente poder, força e invencível.

O tempo passou um pouco mais, fui gravar o programa do João Gordo e o Meyer fez mais uma etapa do meu branding por lá. Depois tive um amigo que trabalhava na Body Piercing Clinic (Pew, te amo, irmão). Ainda aqui, sempre tinha a sensação que o Meyer não se recordava de mim, até que um dia cheguei perto da loja e ele me chamou pelo nome. Fiquei visivelmente sem jeito.

Com o FRRRKguys passei a encontrá-lo nas convenções de tatuagem. E foi no lançamento de seu livro Lindo de Doer que ficamos mais próximos. Gravamos alguns programas de televisão e em um deles viajamos para o Rio de Janeiro. Para mim era uma honra sem tamanho e ao mesmo tempo uma realização pessoal. E com essas recordações todas não posso deixar de mencionar a vez que ele tocou em uma das FRRRKguys Party e meus amigos de adolescência puderam ir (o que não era algo comum de acontecer) e acho que foi uma realização coletiva pra gente. Pra mim particularmente foi épico!

Sentar agora aqui, escrever sobre essas memórias todas é um exercício pra mim. Reforça a minha paixão e amor pelas pesquisas e estudos que faço em relação ao corpo. Reforça o respeito e gratidão que tenho pelas pessoas que foram a minha base e que me ajudaram a enxergar um outro mundo possível. Reforça a responsabilidade que tenho no que faço e vivo. Se hoje sou o que sou e como eu sou, sem dúvida alguma em algum momento teve uma inspiração grande desse homem.

Deixo publicamente meu enorme agradecimento ao André Meyer por compartilhar sua história, ceder seu tempo e atenção para que pudêssemos filmar a websérie e por sempre me receber com tanta atenção e carinho. Agradecer ao Gam Yoga por nos acolher. Agradecer a equipe de Singularis que tem me presenteado de diferentes formas.

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