Olhos que farejam a ausência e buscam a presença

(…) sozinha. Ela estava completamente sozinha. Era o mesmo local, a mesma hora que costumava ser, a mesma demora do ônibus que a levaria para sua casa na periferia. Encostou no poste com sua costumeira posição estranha. Caía sobre ela uma garoa fina e fraca do céu escuro. Não estava frio, era só as gotículas que caiam, como o choro que estava travado em sua garganta. Fina.

Não era um sentimento de solidão, era uma ausência em específico. Na memória a imagem viva dos tempos de outrora. Somente memória. Ela farejava com os olhos todo ponto do ônibus. Cada espaço do chão, da parede, da guia, da rua. Olhava para o céu e novamente farejava todo espaço com os olhos. Em seus cantos o vazio. Fazes-me falta.

Um profundo, longo e tremido suspiro encheu e esvaziou os seus pulmões. Pensou consigo sobre a falta que ele fazia. As pessoas que atravessavam o espaço faziam um ruído antes baixo e depois como uma interferência sonora chata.

Ela apenas queria que os outros ônibus tivessem demorado mais enquanto ele vivia. Ela vivia.  E depois?

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: