Maria: Era tão bom, que hoje ainda é bom…

Em um país (mundo?) em que a educação é privilégio para alguns e não para todas as pessoas, eu aprendi a ler, aprendi a escrever e em dado momento da minha vida aprendi a ser arrogante ao ponto de debochar de quem por ventura não dominasse tão bem a língua falada e escrita. Viver em uma sociedade extremamente injusta, desigual e competitiva nos faz isso. Você sempre precisa ser o melhor, você sempre precisa vencer de alguém e isso é uma insanidade tamanha. A gente é ensinado a ver o próximo como concorrente e isso explica a sociedade doente que vivemos.

Em meio essa minha tolice típica de pessoa privilegiada e pequenitude humana, acordei. Então, nesse despertar atípico foi o momento em que tive de aprender a desaprender tudo aquilo que me foi ensinado. Óbvio que ainda sei ler e óbvio que estou todo dia aprimorando a minha escrita, mas não mais para zombar de alguém que não teve o mesmo privilégio que eu e pode estudar. Tão pouco competir com nada, para ganhar nada ou coisa que o valha. Nesse meu tão sagrado desaprender pude aprender a respeitar profundamente as pessoas que por ventura não dominam a língua portuguesa, seja falada, seja a escrita. Já disse em outra ocasião que tenho hoje um profundo interesse em ouvir e sentir o que as pessoas têm a dizer, ainda que seja com um olhar, ainda que seja com um silêncio ou gutural berro. Sem meias palavras, estou é cagando quilos para as normas cultas da língua.

Não nego que um texto bem escrito ainda me emociona, mas veja, das coisas mais bonitas que ouvi na vida os erros do português eram insignificantes frente aos acertos primorosos daquele momento. Os bilhetes que recebi dos meus sobrinhos escritos com letras disformes e sem regra gramatical alguma, foram preciosos e obviamente que sempre me emocionaram de modo raro. Tive o privilegio de receber incontáveis demonstrações muito sinceras de afeto em que, meus caros e minhas caras, a norma culta da língua portuguesa era o que menos importava, honestamente falando, porque são momentos em que a própria linguagem é transcendida.

Desaprender tudo isso, me traz a oportunidade e o privilegio de assistir a esse vídeo e agradecer por ter acordado em tempo. Entenda, nem todas as pessoas tiveram as mesmas oportunidades e privilégios que eu ou que você e não existe uma pessoa nesse mundo que não tenha algo para ensinar para todos nós. Espero ter desaprendido tanto para não perder a chance de viver uma experiência mágica por conta das normas cultas de uma língua que se transforma, assim como o próprio mundo e a própria vida.

Ps. E como vocês já perceberam, eu gosto de escrever, ainda que eu erre aqui e ali o tempo inteiro. rs

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