Entrevista sobre ativismo virtual

Para: Canaltech

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1) Me diz seu nome completo (ou o nome que quer que apareça na matéria), idade e profissão.

T. Angel, 33, historiador.

2) Quais ferramentas virtuais você utiliza para a sua militância? Cola por favor os links do seu perfil, página, site, youtube, todos os sites que você usa como ferramenta de ativismo que desejar divulgar!

Eu tenho usado diversas redes sociais, que nomeei como tentáculos. A lista segue abaixo:

FACEBOOK

Perfil pessoal: https://www.facebook.com/xtang3lx
Perfil público: https://www.facebook.com/xtangelx
Frrrk Guys: [militância sobre autonomia e assuntos ligados ao corpo]
https://www.facebook.com/frrrkguys
Indiferença não mais: [militância LGBTQI interseccional]
https://www.facebook.com/indiferencanaomais

Twitter: @tang3l @frrrkguys
Instagram: @tang3l @frrrkguys
Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCmLuyf3lJ8-_ll8uEbDHTRQ

3) Qual dessas você prefere, e por quê? (Se não tiver preferência entre uma plataforma e outra, pode me dizer na visão de um ativista, qual a diferença que você acha que tem entre usar o Facebook e o Twitter, por exemplo)

Eu prefiro o Facebook pela possibilidade de alcance. Todavia, é tudo integrado. Então o que posto no facebook faz ping no twitter, tumblr, G+ e etc. Percebo que o Facebook se tornou muito popular (mais do que o fotolog, Orkut ou myspace foram um dia) e a população que não tem muita intimidade com as demais redes sociais, acaba ficando apenas nela. É uma minoria que usa unicamente uma outra rede social que não o Facebook.
4) Quais as causas que você defende? Fale um pouquinho (ou um poucão, fique à vontade haha) sobre cada uma, e como é o seu envolvimento nessas lutas. Se tiver, ou já teve, algum projeto que teve bastante sucesso nas redes sociais, fala sobre ele aqui também!

Tenho me envolvido bastante com os direitos humanos e dos animais, conforme o tempo vem passando o meu envolvimento vem crescendo mais e mais. Nesse sentido tenho militado pelas questões LGBTQI. Aqui a luta é cruzada com a minha produção artística e vida, eu sou uma pessoa não heterossexual e não binária e isso está o tempo todo em mim, em tudo o que eu faça.  No “Indiferença, não mais!” Atuei com uma ação que oscilava entre o mundo virtual e o não virtual. Pessoas enviavam fotos para a construção de um vídeo e em conjunto havia um diálogo o tempo todo sobre as LGBTQIfobias. A ação “terminou”, mas a fanpage segue ativa e levando muita discussão e conteúdo. Como pessoa vegana também tenho feito uma militância pela libertação animal e pelos direitos dos animais de terem uma vida digna e livre de crueldade. Também tenho militado fortemente pelas questões que rondam a autonomia do corpo e o auto manuseio de si, mais especificamente a minha luta está debruçada sobre os assuntos que rondam as chamadas e entendidas modificações corporais (piercing, tatuagem, escarificação, etc). Desde 2006 coordeno uma plataforma eletrônica, o Frrrk Guys, que tem proporcionado diversas discussões sobre o corpo que escapam do mundo virtual.
Acho importante dizer que para mim não existe uma hierarquia de lutas e causas, como se uma fosse mais importante do que a outra. Eu luto todo dia pela libertação humana e animal, nesse sentido, as lutas vão se atravessando e se somando. Não poderia jamais, por exemplo, fazer vistas grossas para as demais causas, como a racial, a de classe, a de credo (ainda que eu seja ateu, percebe?), etc… Fim ao cabo, elas se encontram e acho muito importante aprender a escutar esses gritos todos, falo em gritos pois historicamente são grupos que foram tornados invisíveis e sem voz pelo sistema dominante. Já ouvi que sou radical e polêmico, isso porque defendo a ideia básica de que o mundo precisa atender as demandas mais diversas dos mais distintos seres. Defendo a ideia de que temos que trabalhar para a construção de um mundo de fato acessível para toda gente. Para mim isso parece o básico um, mas a gente sabe que na realidade a história é outra e que vai ter um outro lado batalhando pela defesa do status quo, pois a miséria, exploração e abuso de alguns seres beneficia alguns outros poucos.
5) Me diz também sobre a resistência/oposição que você recebe, se receber. Quem são essas pessoas (homens? mulheres? mais ricos? universitários? enfim, qual o perfil delas?)

Em todas as lutas sinto o peso da religião (cristianismo), é incrível como as pessoas usam Deus, Jesus e Bíblia para justificar as maiores atrocidades humanas. E é inegável também que a resistência ou o esforço pela manutenção e permanência dessas violências todas é feita pelo homem, branco, cisgênero e heterossexual. Muito embora não seja uma regra, é sem dúvida alguma proporcionalmente maior o número de ataques desse grupo especifico. Eles realmente odeiam quem mexe nos privilégios que eles dominam ou que historicamente dominaram por um certo tempo. Recentemente travei uma discussão com um soldado e um cabo da fuzilaria naval do Rio de Janeiro, pois eles queriam ter o direito de ser transfóbicos. Ameaçaram me processar, ameaçaram uma garota que também estava questionando a postura deles e é isso. A maioria dessas pessoas são covardes é uma característica marcante em pessoas fóbicas. E deixo aqui a minha dança do lamento, pois vamos seguir questionando, vamos seguir expondo vocês, vamos seguir colocando na parede, até que vocês possam aprender a tratar as pessoas como gente. Perceba, estamos no século XXI e existe uma corrente de gente que vive como se estive na idade média. Alguém avisa?

6) Já precisou se defender judicialmente ou tomar alguma providência mais firme com alguém que não se contentou em rebater suas ideias, mas sim sua pessoa? Se sim, me conta.

Tive um caso em 2014 em que um profissional da modificação corporal passou a falar mal de mim, do meu trabalho e tecer ameaças contra a minha pessoa por conta de um conteúdo que estava no meu site há mais de um ano, que a pessoa havia participado consensualmente e que ele alegava que eu tinha editado para me beneficiar (leia: prejudica-lo), o que não aconteceu e jamais aconteceria. Coloquei uma vinheta e o que tinha de vídeo estava lá, apenas isso. Foi a primeira ameaça que recebi, ainda que indiretamente. Precisei ser mais firme nesse momento, mas é horrível, é um processo muito ruim e pesado para administrar. Acho lastimável ter que recorrer para as leis para me assegurar de alguma coisa, mas enfim, em alguns momentos são elas o que temos. Se as ameaças continuassem eu teria que tomar outras atitudes e levar o caso judicialmente sim.

Tenho a minha consciência bastante tranquila, sabe? Tenho a sorte de ter conseguido mostrar a minha índole e caráter para muitas pessoas ao longo do tempo e com o meu trabalho. Acho que as minhas ações falam por mim e isso me basta.

7) Na sua visão, quais os principais prós e os principais contras do ativismo virtual (em especial, nas redes sociais)?

Eu trabalho com internet e fico muito tempo envolto nessa virtualidade. Percebo que em alguns momentos me afeta psicologicamente e isso é bem ruim, parece que não estamos saindo do lugar, parece que a quantidade de desgraça só aumenta, parece que não tem mais jeito… Até porque, muitas vezes você descobre pessoas próximas e íntimas que pensam como o Bolsonaro, por exemplo.  Ou alguém que você gosta vomitando preconceito racial, de classe, de gênero e você tem que aprender a lidar com isso. E é um aprendizado duro. Mas acho que é isso, é a minha escolha de vida, eu prefiro saber o que a pessoa é de verdade e depois tomar a atitude que for mais sensata. A maioria das vezes consiste em me afastar e, obviamente, na maioria das vezes eu aviso, estou me afastando por conta da sua homofobia, estou me afastando por conta do seu fanatismo religioso, etc…
Normalmente não discuto com troll, evito ler comentários e etc, isso por questões práticas de sobrevivência.
Os prós, poxa, a possibilidade de aprendizado. Eu tenho aprendido muito e sem a internet e o ativismo virtual eu estaria com uma cabeça muito ruim hoje em dia. Tem me ajudado muito de verdade e como retribuição, espero conseguir ajudar outras pessoas.  Compartilhamento, né? Aprendi aqui, ensina acolá e vamos seguir batalhando pela construção de um mundo menos violento para todos os seres.

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