Ana Carolina Marinho escreve sobre ‘Ayer’

Saiu na Antro Positivo esse texto sobre a ação que realizei no Perfor 6. As fotos que estampam essa chamada é do artista Yiftah Peled.
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Perfor6 [quem?] 2015

Ayer, de Thiago Soares

Por Ana Carolina Marinho

Seu corpo nunca se desnuda. Estão escritas as inquietações, os desejos e os devaneios. Sua pele é sua inscrição. Suas tatuagens, a sua apresentação ao mundo. O corpo é o suporte para a construção pictórica. Ele é a plataforma para a criação. Se não se desnudam as tatuagens, que sejam elas reconfiguradas com as agulhas e pérolas. Apesar dos inúmeros furos feitos diante de mim, espanto-me com a ausência de sangue. Fico perplexa contemplando a pele como uma tela de ponto cruz. Sigo pelo espaço e quando retorno, anuncia-se o fim. Não há mais agulhas, nem pérolas. Mas agora vejo os vestígios do prazer fluido. Riscos vermelhos se espalham com uma força própria pelos braços e peito. O sangue anuncia que a pele deseja se romper, que dentro deseja habitar fora. Depois que as agulhas rompem os limites do contorno do corpo – que é a pele, é difícil manter-se aprisionado.

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