O autoflagelo dos editais…

Dos desabafos:

Uma vez estava com um projeto pronto, cheguei na fila dos Correios para enviar e desisti. Guardei tudo na sacola e voltei para casa. Menos desolado do que se tivesse enviado. Explico. Como a minha trajetória como artista se deu de modo informal, isto é, sem uma passagem por cursos de artes ou coisa que o valha, demorou muito para que eu soubesse da existência dos editais e demais prêmios e programas para as pessoas que trabalham com cultura e artes. Talvez fosse melhor nunca ter sabido… Saber da existência dos editais é também saber que vigora o tal do quem indica, do quem aprova e daqueles jeitinhos todos bem típicos do Brasil. Muita gente sabe disso também, mas ninguém faz nada pois existe um grupo de pessoas que se beneficiam com esses esquemas todos. O silêncio vale ouro.

A minha experiência particular com os editais só me colocam para baixo em um nível abissal. Além de me inserir num espectro de competição que eu abomino. Essa necessidade de ficar o tempo todo provando que você é boa o suficiente para os outros é algo que não me anima em nada. Seja boa, seja melhor, seja melhor ainda… Ainda assim escrevi algumas coisas e cheguei a enviar, no entanto, cada trabalho ou projeto que desenvolvi para editais nunca obteve aprovação.Também nunca há um feedback para você poder melhorar ou se aprimorar, seja lá o que e onde esteja embutida suas falhas.

De imediato me bate a sensação de que a minha escrita é ruim, meu trabalho é ruim e – uma vez que a minha arte não se separa da minha vida – que eu sou um fracasso completo. E é triste se sentir assim, imagino que ninguém goste de sentir um grande pedaço de merda. Depois de uns dias a tristeza se afasta e consigo de novo me divertir com os processos que rondam as artes que me envolvi. Olho para trás e percebo que tudo que fiz foi sem incentivo algum, sem edital algum, sem apoio algum e acho até curioso como consegui fazer algumas coisas sendo uma pessoa pobre e com mínimos recursos. Mas fiz e devo continuar fazendo na medida do possível… Alguns dias a gente fica mais cansada, se sente miserável e desabafa como agora, mas depois aprende a respirar fundo e seguir adiante.

É certo que os editais servem para alguém que não eu. Para mim a única utilidade tem sido para me colocar para baixo e dizer o quanto não sou boa em absolutamente nada.

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