Entrevista sobre body art

Curso: Publicidade e Propaganda | Universidade: PUC-MG

  • Qual seu nome?
    T. Angel
  • Tem quantos anos?
    33 anos
  • Com quantos anos começou a fazer modificações corporais?
    Meu corpo sempre esteve em metamorfose, assim como o de todo ser vivo, todavia, as modificações corporais com técnicas da tatuagem, piercing, escarificação se iniciam em minha adolescência, por volta dos 15 anos de idade.
  • Como conheceu a Body Art?
    Conheci a body art através das minhas pesquisas sobre modificações corporais. Descobri que aquilo que eu já vinha fazendo em mim, poderia ser ressignificado e assim o fiz.
  • Tem quanto tempo que você pratica Body Art?
    Tenho a impressão que 2005 é o ano em que tudo se firma em minha cabeça. É o ano que comecei a trabalhar com performance art e, em conjunto, com a body art.
  • Por que faz esse tipo de arte? O que ela significa para você?
    Sempre tive uma forte ligação com as artes. Quando criança estudei música (ainda que dentro de um contexto da religião cristã), depois fui para o teatro de escola, de rua… Nasci com essa inquietação. Também quando criança escrevia peças de teatro, fazia figurino, dirigia os ensaios, pensava em trilhas sonoras… Obviamente que de um modo bastante precário, mas ao mesmo tempo livre. Uma liberdade que a infância nos permite. Sinto que até chegar na body art foi um processo de transformação e desconstrução muito intenso que passei. A primeira etapa foi reconhecer que eu tinha um corpo e em seguida que havia potência suficiente nele para me expressar. A body art dentre tantos significados, fala sobre empoderamento para mim e na minha vida.
  • Sofre algum tipo de preconceito? Se sim, como lida com isso?
    Vivemos em uma cultura que nos força ao preconceito. Em outras palavras, entendo o preconceito como uma construção social e política que varia no espaço e tempo, mas que sempre atende os interesses de alguém, dentro de um sistema vil e cruel. Historicamente temos incontáveis exemplos sobre os modos violentos que lidamos com aquilo que é diferente. Quase sempre nos esquecendo que aquilo que consideramos diferentes são pessoas, assim como eu e você. Então, se eu sofro preconceito por conta do corpo que sou? Obviamente que sim. Do preconceito sutil (mas que nem por isso deixa de ser rude) ao extremo (que inclui violência física). A minha forma de lidar com isso é através de uma militância diária e sem fim. É tentando abrir diálogos, construindo informação e de uma educação que humaniza. É através, inclusive, de enfrentar os próprios preconceitos que construí em mim durante a minha vida. Não adianta eu levantar bandeiras contra o preconceito que sofro, despejando preconceitos nas pessoas que são diferentes de mim. A diversidade é o que temos de mais valioso nesse planeta, a biologia já deveria ter nos ensinado isso. É um exercício intenso, não é fácil, mas não vejo outra forma de co-existir em harmonia nesse mundo.
  • Quais suas inspirações?
    Todas as coisas e pessoas que borram as fronteiras, os limites, as regras e as normas.
  • Como você acha que a sociedade está lidando com essa “nova modalidade” da arte?
    Eu não tenho boas impressões da nossa sociedade. O que percebo é que tudo depende de quem faz essa arte (assim com as outras linguagens também). Veja bem, os índios fazem arte com e no corpo desde muitos tempos e essa sociedade é responsável pelo extermínio dos indígenas e de sua cultura, pensando o Brasil. O que quero dizer é: se você é homem, branco, heterossexual, cisgênero, cristão e com poder econômico a sociedade vai ver o que você faz com um olho. Todas as outras pessoas que escapam desse esquema, são vistas com outros olhos. Sabe o clichê que rico é excêntrico e pobre é um tipo estranho de vagabundo? Pois é, esse é o lugar. Por fim, se a sociedade lida bem ou mal com a body art me parece ser o menor dos problemas.
  • Então, é isso. Obrigada pela entrevista. Gostaria de saber se você tem algo para complementar, ou alguma mensagem para passar.
    Eu que agradeço o convite e boa sorte com o trabalho.
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