Pequenos registros sobre os últimos dias…

Trabalhei hoje por mais de 12 horas seguidas e desfrutando cada segundo dessas horas todas. Falo trabalho mas com bastante distância da etimologia da palavra. Digo, aquela que vem do vocábulo latino “tripalium“, que nada mais é do que um instrumento de tortura. Não é o caso, mesmo.

Como o trabalho de hoje era mais “braçal”, pude meditar por muito tempo. Fiquei pensando aqui no processo que estou vivendo agora com a publicação do livro. Pude meditar sobre muitas coisas. A primeira delas que me veio na cabeça é que eu estava no abismo dias atrás e sem saber para onde correr. Passei por um semestre nadando na merda e em espinhos. Agora estou com aquela sensação de ter conseguido atravessar isso tudo e, obviamente, é algo muito bom de sentir. As forças se renovam.

A chegada do livro foi um divisor de águas dessa fase da minha vida, no melhor sentido possível. Primeiro pela forma como tudo tem se dado: financiamento coletivo, ação independente, editora restrita… Veja bem, recebi mais de 100 livros de uma vez e eu estou sendo responsável em escoar isso tudo.

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Escrevo a dedicatória, embrulho ouvindo músicas que agradam o meu coração, coloco no envelope pardo e lacro. Não consigo dizer quantas vezes me emociono escrevendo as dedicatórias. Sinto uma espécie bonita de frio na barriga, bem parecida com aquela que sentimos quando nos apaixonamos. As famosas borboletas no estômago.

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Depois vou ao correio carregando muitos pacotes, já fiz amizades com as funcionárias e tenho recebido o “até amanhã” de uma delas. Minha mãe tem me dado caronas e facilitado esse processo de logística.

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Fico aqui pensando o quão anárquico esse processo todo tem sido e ao mesmo artesanal, poético. Estou espalhando germes de ideias que acredito e ao mesmo tempo militando pela autonomia do corpo.Tem horas que me pego pensando – enquanto espero nas longas filas dos Correios – que sou uma espécie de transgressor ou um terrorista poético. Brinco na minha cabeça com essa coisa toda. Depois faço algum alongamento discreto com os meus pés.

Em um canto do meu quarto tem uma caixa plástica vermelha com alguns pacotes com livros. Os últimos dessa fase. Esses serão entregues pessoalmente nos próximos dias. Penso nos abraços que vou receber e vou dar. Gosto da ideia. Dos mais de 100 livros que recebi são esses poucos que restam comigo no momento. Respiro fundo e agradeço mais profundamente ainda.

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