Umas pedras no meu caminho

Não sei se é coisa da minha cabeça.
Não sei se fico procurando que tudo tenha um sentido, cronologia ou pasmem, uma ordem.
Não sei se fico querendo que a vida seja poética, para ser menos insuportável. Não sei.
Pode ser tudo uma grande coincidência, apenas.

Enfim, assisti esses dias o filme Okuribito (2008), que já tentei ver há uns 3 anos atrás e não consegui.
Agora entra a parte do “não sei”…
Reproduzo abaixo uma das passagens que me fisgou o dentro:

“Daigo Kobayashi: Long ago, before writing, you’d send someone a stone that suited the way you were feeling. From its weight and touch, they’d know how you felt. From a smooth stone they might get that you were happy, or from a rough one that you were worried about them.
Mika Kobayashi: Thank you.
Daigo Kobayashi: What did you feel?
Mika Kobayashi: Not telling. That’s a lovely story. Who told you?
Daigo Kobayashi: My dad.
Mika Kobayashi: You mean… that big rock?
Daigo Kobayashi: Yep. I got it from him.”

Explico agora a fisgada. Quando meu pai estava vivo, ele me deu uma pedra. Na verdade mais de uma vez ele fez isso. Ele encontrava as pedras pela rua e como sabia que eu gostava, trazia. Assim ele dizia.
Meu pai tinha o hábito de pegar coisas da rua, era engraçado.

Das pedras que ganhei, uma única eu tenho ainda comigo. As outras eu era muito criança e sabe como são as crianças com as coisas.
A que eu ainda tenho, está no armário do meu banheiro. Toda vez que vou tomar banho a vejo. Foi em um desses momentos que lembrei do filme, digo, da mensagem que este passa.
A pedra que tenho não é lisa e não muito enrugada, como as outras que ganhei dele, mas tem um peso considerável. O que será que a rocha quer dizer, além de me contar que não estou sozinho?

Não bastando essa pedra, essa semana recebi outra e por isso resolvi escrever. Minha amiga Suzana, que atualmente mora na Inglaterra, me trouxe uma pedra bem enrugada e leve, segundo ela é pra me dar sorte. Ela trouxe faz um tempo (2 anos talvez), mas somente agora eu recebi. Agora, depois de ter visto o filme, de ter refletido sobre essas relações de stone letter e tudo mais.

É curioso, pode não ser nada, mas como também pode querer me dizer algo.
De antemão já diz, que a vida pode ter poesia, nas palavras não ditas, dos gestos sagrados e de tudo aquilo que nunca saberei.
Sussurrou baixinho que as pedras do meu caminho confortam meu coração.

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