Entrevista sobre body modification, body art e performance

Curso: História | Universidade: Universidade Cidade de São Paulo (UNICID)

Entrevista T. Angel (2010)
Carla: Posso publicar seu nome, site e quaisquer outras informações nesta pesquisa?
Thiago: Claro, pode principalmente o site.
Carla: Fale-me um pouco sobre você, quantos anos tem, onde nasceu, fale um pouco sobre sua infância.
Thiago: Bom, eu nasci em 1982, aqui em Osasco, essa cidade que você está agora, tenho 28 anos agora. Estudo história, trabalho com performance e com esse site que é sobre modificação corporal,body art, enfim… (o site é ohttp://www.frrrkguys.com)
É… Infância? Hmmm… Eu cresci numa família cristã, super rígida. Enfim… Até com aquela coisa meio fanática e tal… E, acho que… Sei lá, isso pesa em algumas coisas na minha vida até hoje. Sempre fui ligado na questão da arte, desde criança, estudei desenho, depois criação e bibibi, tanto que eu fiz moda também né? E acho que é isso né?!
Carla: Você teve alguma influência em casa, nessa questão da arte?
Thiago: Muito pelo contrário, acho que eu tive barreiras. Porque como eu te falei, família cristã e fanática, principalmente meu pai.
Carla: Católicos?
Thiago: Congregação Cristã do Brasil. Meu pai não permitia livro e TV em casa, era bem tenso assim… Então não teve uma coisa tipo de incentivo. Eu queria fazer, e isso é machismo também, eu queria fazer tipo… dança. Não, você vai fazer kung fu. Eu quero fazer pintura… Não não, você vai fazer karatê, sabe?
Tudo tipo, a coisa do menino e da menina, a arte muito como uma coisa, tipo, sei lá, inexistente dentro de casa. Então foi muito iniciativa própria mesmo assim, de gostar mesmo, de nascer com a coisa e ir atrás e gostar…
Carla: E como você começou com a Body Modification?
Thiago: Então, aí tem a coisa da paixão por… ahn… ficção científica, desenho em si também, quadrinhos e tralalá, e aí eu comecei com quinze, dezesseis anos assim, com um piercing.
Carla: Todo mundo começa com um piercing…
Thiago: Todo mundo começa com um piercing, e é muito engraçado, porque eu não pensava nem em furar a orelha, não achava legal assim né? Paga a língua hoje (risos) (Thiago mostra seu alargador de 32 mm) e aí eu furei logo o lábio assim… E puxa foi uma experiência muito bacana que eu tive no mercado mundo mix, eu fui uma vez assim, meu irmão me levou, aí pra mim foi um
universo novo aquilo, sabe? De possibilidades, de novidade, de experiência, de laboratório, tudo assim… E aí eu saí de lá, já foi pra fazer alguma coisa.
Carla: Isso em 1997?
Thiago: Isso em 1997. E aí desde então não parei mais, não é? Até hoje…
Carla: No caso do piercing, você começou com um no lábio, e depois você logotirou e foi fazendo outros?
Thiago: Então, aí foi o seguinte, eu fiz o piercing no lábio, meu irmão fez na língua, e a gente chegou em casa, minha mãe ficou louca da vida, tipo, meu pai nem tanto, agora minha mãe… Cara, nunca vi minha mãe tão brava em toda a minha vida assim… Ela ficou muito puta. E aí no outro dia eu tive que tirar, tipo pra continuar vivo no caso (risos). Sério, ela ficou muito brava, aí pra evitar
conflito, quinze anos, eu era novinho, sabe, tipo eu pensei: “Não, vamos evitar”, ok aí tirei, só que era uma coisa que eu queria muito assim, e eu comecei a me perfurar em casa, aí ela ficou assustada e falou: “não, vai lá amigo, pode fazer seu piercing, só um ok?” ok. Aí no mês foi outro, outro, outro… E aí começou, tipo, né…
Carla: E o que a Body Modificationsignifica pra você?
Thiago: Puxa, assim, é… Dá pra pensar a modificação corporal só como piercing e tatuagem, e a modificação corporal como essa construção individual, o indivíduo e o sujeito. Eu acho que a Body Modification não só a questão do piercing, mas a modificação do corpo em si, ela faz parte de todo indivíduo, da construção do sujeito, então ela é super importante, não tem como negar isso.
E já na questão do piercing e da tatuagem assim, é como eu me coloco no mundo, é como eu me sinto completo assim, como se sei lá, tivesse… Até a palestra que eu vou dar amanhã do pré-fabricado, assim. É como se eu tivesse um corpo ok, mas o corpo que precisa de outras coisas assim, pra ser um corpo de verdade, então é um processo que começa no nascimento e acaba na morte, só.
Carla: O que você pensa a respeito da Body Modification como estética, quem faz porque é bonitinho, essa diferença do modo como você a vê, como você encara essa questão, existe um preconceito do pessoal do meio?
Thiago: Então, assim… eu costumo separar na verdade assim: a Body Modification no sentido até do que o Fakir fala de primitivos modernos lalala, pra ficar claro que é a coisa do piercing e lalala, e vai ter a coisa da Body Art. Tá, a Body Art pode ser dividida numa visão artística e numa visão antropológica, não consigo, tipo… sabe? A coisa da estrelinha no pulso, ver aquilo como uma
body art, primeiro que o tatuador que fez, ele tá pensando no capital, porque ele vai fazer mil estrelinhas se você pagar pra ele, não tem processo de criação nem nada, tem o trabalho manual, ok. Mas é só, é capital e pra pessoa que tá recebendo é estética, é pura estética. Não tem um conceito muito grande por trás disso. Então, sei lá, pra mim, eu gosto de separar a Body Art da Body Modification, não acho que elas sejam antagônicas, acho que em alguns momentos a Body Modification
vai entrar na Body Art, só que são separados assim, são dois elementos, a gente tem que ver assim. Não tenho preconceito, acho que é a forma de cada sujeito se completar, se colocar no mundo. Se for com uma estrelinha no pulso ou um piercing no nariz ou um silicone, ou uma plástica na orelha ou uma redução de estômago, alguma coisa…
Carla: Como você encara a questão da plástica e a Body Mod? Você acha que elas têm uma ligação? Já que o boom
da cirurgia plástica se deu com o padrão de corpo esculpido, malhado da década de 90. Fale um pouco sobre isso.
Thiago: Eu acho que a plástica, ela vai estar pro sujeito como um elemento da modificação corporal. A única diferença é que a cirurgia plástica, ela é socialmente aceitável, porque ainda tá dentro do preceito cristão, branco, moral e bla bla bla, e a modificação corporal como você interfere de uma forma que justamente agride o corpo, a cirurgia plástica agride tanto quanto. Mas enfim,
foge da coisa cristã, do corpo limpo, corpo puro lalala, e aí vai ter um preconceito social, mas eu acho que a plástica tá dentro da modificação corporal, ela deveria, sei lá…
Carla: Afinal se for considerar agressão, ambas são agressões, você perfura, corta o corpo.
Thiago: Uma amiga me contou de uma lipoescultura que ela fez e ficou um mês e meio na cama, contando com a ajuda de enfermeiras, eu fiz um implante no peito e não fiquei de cama, então sabe? Se você for querer ficar… Ah, isso é
mais agressivo, poxa, a gente faz coisa muito mais agressiva do que um piercing e uma tatuagem.
Carla: O título do meu trabalho é justamente pensando nessa questão (Forma de contestação ou agressão ao corpo?) afinal, as pessoas não encaram a cirurgia plástica como agressiva, pois vai te deixar mais bonito e a body modification para muitos te deixa com aquele aspecto considerado feio, que assusta, que choca. Eu quero discutir isso.
Thiago: O que fode é isso, aí a gente vai entrar na questão de conceito de beleza, o que é belo né? E vai variar de sociedade pra sociedade, de tempo pra tempo, de cultura pra cultura. Não tem como ficar estipulando né? É que aí a gente tem que pensar na massa, pra massa o que é aceito é a cirurgia plástica pra ter peitão. E um implante na testa é de repente, sei lá, pela coisa do chifre, aí a coisa do demônio lalalá, vai estar dentro, vai ser discutido.
Carla: Você colocou de novo o seu?
Thiago: Eu tirei um lado só, to meio saci de implante (risos), tive que remover, este transdermal é sensível demais, até que eu fiquei bastante tempo, inclusive eu fui… Agora eu to pesquisando um monte dele né, é a única modificação corporal que não é recomendada pelos bmezines, eles não recomendam fazer. Por que não fica, não tem jeito.
Neste momento, Ivan comenta a respeito de um documentário (Tabu) da Natgeo sobre o tema. 

Thiago: Inclusive neste documentário, um dos personagens que eles pegaram lá, é um cara que quer parecer com a imagem que temos do demônio, ele colocou uns chifres muito grandes, o nariz dele, ele removeu aqui (mostra as laterais), o septo e juntou, e aí ficou aquela coisa assim, super achatada, fez orelha também, bom, o que a gente tem de desenho de diabo, ele tá igual, tá
super igual.

Carla:
Eu acho que isso é uma forma de você bater de frente… com…
Thiago: É isso que é o diabo pra vocês? Então toma o Diabo.Carla: E aí você bate realmente de frente com aquela moral, o padrão cristão…

Carla:
Então hoje você trabalha com o que? Performance, site? Escreve pra algum lugar?
Thiago: Tem o site que ocupa muito, muito tempo. Aí tem as performances também, que agora to um pouco sem tempo, pra focar a faculdade que é último ano. Então só to fazendo o que tinha agendado no ano passado, e escrevo pra revista, tipo, de tatuagem também, e é sempre sobre algum evento, alguma técnica, entrevista, tem também uma revista digital lá do sul, que é sobre corpo,
cultura…
Carla: a C3?
Thiago: A C3, escrevo pra eles também, eu também sou correspondente do Brasil pro site da Argentina o
Piel Magazine, que é um site bem importante na América Latina sobre modificação corporal, e é muito louco, porque tem muita
coisa do Brasil, tipo, de evento, histórico mesmo assim sabe? Fui procurar algumas coisas assim de freak show, de performance que a gente já teve aqui, não tem nada no Brasil falando sobre e lá tem, foi bem bom achar, aí trabalho com eles também, que mais? Acho que é só. E tem os eventos também, a FrrrkParty que agora dei uma pausa também, a FrrrkCon, e aí vou pegando, não pára, faço um monte de coisa…
Carla: Você vê que no Brasil falta um reconhecimento, tanto na questão da Body Art, da performance, não são divulgados, você acha que existe um preconceito ainda?
Thiago: O que eu to percebendo assim agora que to entrando no campo da performance art assim, é que não é nem um preconceito, mas um tabu, na coisa da performance art, mas da Body art, quando você mexe com fluido corporal, é… com limite, com extremo do corpo, e é muito doido você pensar, porque a performance, ela nasce dos extremos. né? Mas eu hoje eu sinto que sei lá, tem uma barreira, aí fica bem aberto pra coisa do teatro, da dança e da Body art que lida com os extremos eu sinto uma certa resistência. Talvez seja uma visão muito particular, mas eu tenho sentido. E valorização… é tenso, e  assim, é mais triste pensar, até por tudo o que eu tenho feito ultimamente, a falta de valorização do meio também, tipo pela frrrkcon que é um evento que supostamente é voltado para a galera que é da Body Mod e até da Body Art assim, são poucas as pessoas que vão. Vem mais gente de fora de São Paulo por exemplo do que de São Paulo, não sei o que acontece, e não dá pra entender, a primeira edição mesmo, a gente esperava um monte de gente e a
galera não vai, tipo a galera que trabalha mesmo com a coisa não vai. Então tipo, aprende a perfurar sabe-se lá como e ok ta satisfeito, ah eu ganho dinheiro ta bem assim. Não pensa em estudar, em discutir o corpo, a idéia do evento é até essa né? Pensar os processos corporais… a impressão que dá é que ninguém ta aí pra pensar, só pra fazer…Carla: Então boa parte da modificação corporal virou comércio?

Thiago: É ainda que o extremo a gente não pode falar em comércio porque ele é bem restrito. Até de profissionais aqui, uma escassez tremenda…
Carla: O que você considera extrema e não extrema?
Thiago: Implantes… Acho que o que tudo o que você pode colocar comocirúrgico, implante, o tongue split, acho que a gente pode falar que é extremo, o não extremo, tatuagem e piercing, que é só perfurar e marcar.
Carla: E a suspensão? Você acha que é extremo ou não?
Thiago: Depende, depende do contexto em que ela vai estar inserida. É… é até uma pergunta que tenho me feito, se ela está super valorizada, não super valorizada, mas tipo… bem colocada hoje, porque tem bastante gente fazendo.
Carla: E está aparecendo mais né?
Thiago: Sim, é… e aí eu não sei, mas… Valorização acho que a gente não tem,ninguém consegue viver só com suspensão por exemplo, não tem nenhum profissional no Brasil que viva só disso. Piercing tampouco. Tatuagem ok. Tatuador consegue viver só da tatuagem, da modificação extrema não consegue viver, porque não tem público né?
É Tenso assim, não tem valorização nenhuma. E a galera tipo, reclama demais, os profissionais, quem pratica, é entusiasta, reclama demais que falta evento, que falta informação, que falta livro etc. E quando tem não vai. Então reclamar, só pra ficar reclamando no
twitter, enchendo o saco, não precisava fazer, agora atitude mesmo, é pouco, bem pouco.
Carla: Das técnicas que você já fez, qual acha mais interessante? E se arrependeu de alguma coisa?
Thiago: O que eu já fiz, vamos lá: fiz piercing, aí os stretchings que é alargar os buracos dos piercings, tenho tattoo, tenho
scar, aí da scar eu tenho o cutting que é feito com bisturi e tenho o branding que é feito com queimadura, ai eu
tenho implante subdermal, e tenho o implante transdermal por pouco tempo(mostra o da cabeça), tenho tongue split, que mais? Acho que só. E poxa, não tem nada que eu tenha feito em mim que não goste, mas na modificação corporal tem uma coisa que não é nem que eu não goste, é que não entendo ainda, que é amputação. Não entendo. Até porque ela vai debitar o corpo, o movimento vai ficar debitado, até se você arranca dente, tem uma galera que arranca dente, vai faltar… Então eu não consigo entender. Talvez um dia eu
abra minha percepção pra isso, mas hoje não. E o que eu mais gosto, por incrível que pareça é o implante transdermal. Enfim, quem sabe um dia uma técnica nova, que fique. E é a minha favorita, e a mais dolorida, de tudo que eu já fiz foi a mais dolorida. E a favorita.
Carla: que motivos você tem para realizar as modificações, inicialmente e agora, era estético? Tinha outro motivo envolvido?

Thiago: Quando eu comecei lá com os quinze anos, não tinha muita consciência dos porquês, era uma coisa estética de experimentação mesmo né? As tatuagens, as primeiras até também, estética. E aí depois comecei a pesquisar e blábláblá, e entrei no campo da Body Art e aí eu fiquei querendo fazer discussões, sei lá, da sociedade, uma visão mais ampla, ou minha, uma inquietação minha que eu precisava colocar pra fora. E era através do corpo que eu colocava assim. Então frases que eu tenho, eu tenho um monte de palavra no corpo, as asas das costas com a scar, a discussão de como se eu tivesse tido asas e elas foram arrancadas. Esse braço que eu to fazendo agora, por exemplo, que é até pro livro, o braço é uma discussão sobre as relações sociais, como se cada pessoa fosse um pontinho e aí elas vão se juntando até formar um todo só. Enfim, então a coisa do pós-humano, eu vou ter os chips no coração que é meio humano, meio robótico. Vão sendo discussões que eu vou colocando pra fora. Talvez eu pudesse escrever, talvez pudesse desenhar na tela, mas acho que não seria intenso o suficiente pra mim. Acho que o corpo éminha mídia more, assim.

Carla: Então tudo o que você faz hoje parte de uma discussão, de uma significação maior…
Thiago: Sim. Total. Até meu tongue split, por exemplo, eu fiz da primeira vez pensando na estética da coisa, hoje eu já vou fazer pra discutir a questão do paladar. E aí é… Vai mudando. Quando eu começo a fazer não tenho consciência do tipo, é… uma coisa de estética mesmo, depois já vou usando o corpo pra fazer discussões. E nunca vai acabar eu acho…
Carla: Eu queria saber um pouco da relação com a dor.
Thiago: Poxa, a dor na verdade pra mim sempre foi um problema, eu sempre sofri pra cacete, meu primeiro piercing
eu passei mal na cadeira do estúdio. Passei mesmo e não tenho nem vergonha (risos), fiquei branco assim, e aí quando acabou o
piercing, eu falei: quando é o próximo, não é?? Mas sério, foi ruim, porque eu tinha muito medo de agulha, pô! Eu era adolescente tinha
acabado de sair das fraldas e já tava lá me furando. Muito medo. E aí sempre foi problema, eu falava: não vou fazer isso porque vai doer, não fazer aquilo porque vai doer. Só que aí você vai começando a trabalhar o corpo, você vai mudando conceitos né? Então você vai fazendo com que a dor vá deixando de ser um empecilho, você vai querer pular a dor o máximo que puder, só que
você começa a entender que ela faz parte. É como quando você aprende a andar, você vai cair, vai doer, pra andar de patins eu caí pra cacete, me machuquei pra cacete, e doeu. Então você vai começando a fazer essas relações com a vida mesmo. Então tudo que eu faço eu não faço pela dor, não mesmo, quando eu posso burlar a dor eu burlo. Mas enfim, não tem como né?
Ela tá presente, eu to vivo. Próximo, eu não conheço ninguém que faça só pela dor. Não, não conheço mesmo. Mas a gente ouve né? Tem o s/m que curte, que faz mesmo pela dor. Próximo de mim pra ter um depoimento mais preciso, não tenho.
Carla: Você vê a Body Modification como forma de contestação a alguma coisa ou não?
Thiago: Assim, eu vejo e não vejo, não é? Como eu tava falando, a Body Modification pode ser uma cirurgia plástica, para manter a norma social, do que é belo, do padrão de beleza. E aí não tem função nenhuma, você tá seguindo a fila. Agora quando você, por exemplo, coloca chifre, eu acho que você ta fazendo uma puta discussão, por mais que você nem pense nisso sabe? “Ah
eu fiz porque queria discutir o cristianismo e blábláblá”. Por mais que você não pense nisso. Mas você fazendo isso, já está fazendo uma discussão. É… Mas eu acho que a body art, ela vai estabelecer discussões mais profundas e mais conscientes assim, se for pensar. Enfim, então acho que dá pra fazer dessa forma. Você pode usar a modificação corporal para seguir a fila, o fluxo do que
é socialmente normal, ou tido como normal e belo, e aí você pode fugir disso e questionar tudo né? Acho legal quando questiona, acho bem mais legal. Você pensa: “poxa, cara.”Por exemplo, a gente tem racismo, aí de repente você vê um cara que se pintou inteiro de azul, e aí você fala: wow, azul… Por mais que não tenha intenções de discutir a questão racial, mas o cara tá azul, e daí,
tipo… E eu tava lendo uma reportagem, acho que na revista planeta, que tem uma doença de pele, não vou lembrar de que país o cara é, que ele ficou azul, ele tomou um medicamento muito tempo, e ele ficou com a cor da pele azul, e ele sofre um puta preconceito, mas ele não teve escolha, ele tomou a medicação e ficou azul… chamam ele de homem smurf, ele é azul e meio ruivo assim… e ele não teve escolha, isso é pra gente ver até onde vai né? o cara é super mal quisto…
Carla: O que você acha da questão do preconceito para com os praticantes da Body Mod?
Thiago: Eu sofri um monte de preconceito, poxa, ah vou discutir capitalismo agora? (risos). Mas é verdade, não tem como não falar, é  sistema do capital, eles querem pessoas iguais, para desempenhar funções que as pessoas não pensem, não questionem. E não sei se assusta de repente chegar um corpo diferente, e de repente, sei lá, a empresa por pensar que pessoa tem um corpo diferente, ela vá ser uma pessoa diferente, vai ser, não tem jeito. Eu acho que o preconceito já nasce daí, do capital querer pessoas iguais assim, que não
questionem nada, fantoches. E aí os meus preconceitos foram: conseguir entrar numa empresa, mesmo com piercing
e tatuagem, e lá dentro da empresa ter uma ascensão profissional bacana, a empresa ser terceirizada, eu ter que sair, e depois não me colocarem no mesmo cargo, descer, voltar tudo de novo e se alguém me aceitasse, e pra mim isso foi um choque tremendo. Eu
questionei demais tudo, porque eu ia fazer umas entrevistas com uma galera que nem sabia falar que era “pobrema”, nóis vai, nóis vorta”e tipo, eu não ficava e a pessoa ficava. Eu falava ok. Não tô ficando porque tenho piercing. E é um saco, eu acho que assim, se for pensar só na tatuagem nos anos 80, 90, era muito pior… tinha que esconder mesmo. E se vissem no exame médico, você era reprovado, e se descobrissem depois você era mandado embora. Porque era ligado à marginalidade e blábláblá. Hoje a tatuagem em si não, ela já é aceitável, as outras modificações já não. Você até pode conseguir emprego mas é subjugada a capacidade intelectual, profissional, meu caráter, tudo.
Carla: E fica restrito né? Você tem que acabar em meios que possam te aceitar e são poucos…
Thiago: São nichos. E acho isso um saco… Por que, sabe? Colocar como se eu fosse inferior, mas infelizmente tá posto né? E não é de hoje.
Carla: O que você acha a respeito de quem realiza a Body Modification hoje? Tornou-se um mercado consumidor? As pessoas já fazem por moda?
Thiago: Olha, eu acho que a modificação tá virando moda sim, porque na verdade é assim… Acho que é meio que uma coisa atual assim, todo mundo quer ser celebridade, então na internet a pessoa quer ter um fotolog super acessado, o Orkut, quer ter mil
Orkuts. Facebook, 50 mil amigos, e aí a modificação corporal, ela atrai gente, curiosos, é um meio da galera se tornar
celebridade, enfim não sei do que, mas é um meio. E aí a galera vai e enche o corpo de coisas, passa dois anos “ah, não quero mais”. E aí não consegue emprego. Até não fazendo uma separação cartesiana de corpo, mente e blábláblá, mas eu acho que quando você faz modificação você tem que ter uma mente muito bacana, uma maturidade pra fazer. Pra que passe o tempo e você… né?
Carla: E muitas das modificações são pra sempre…
Thiago: Totalmente, então a galera de 16 anos ta fechando o pescoço de tatuagem, as mãos, os dedos. Cara, acho que é muito precoce, não é o momento. Tem uma galera que se enche de coisa pra chamar a atenção, e não é um, são vários. É… então tá uma febre né? Se a gente ver as bandinhas que fazem sucesso hoje no meio teenager assim, são menininhos tatuados com alargador e eles vão desenvolvendo um monte de cópias, e aí vai… É um problema da Body Mod até, quantidade e não qualidade, e a qualidade nem precisa ser do trabalho em si, mas da satisfação da pessoa em ter a coisa. Acho que é isso.
Carla: Você acha que no começo isso pode ter surgido como um movimento e agora se perdeu?
Thiago: (pensa um pouco) É, assim… acho que foi um resgate que discutiu muita coisa na sociedade, poxa, ele vai retomar rituais indígenas, a gente matou o índio o tempo inteiro, ele vai trazer um monte de coisa hindu, poxa, a gente só preza o cristianismo aqui, aí ele vai colocar chifre, poxa mas o corpo não pode ser modificado, machucado. Então até que ele fosse assimilado por
uma grande massa, apesar de ainda ser pouco hoje, demorou. E hoje já está no processo de propagação da coisa. É, a gente pode até pegar como exemplo o bmezine, que é a bíblia, eu chamo de bíblia… Você olha o começo da coisa e hoje, você vai ver a coisa que eu to falando de quantidade e não qualidade. Não sei se tá se perdendo, mas já não é o que foi no começo. É como a coisa do silicone, vou colocar 300, 400, 500… Ah, vou fechar o braço,  a mão o dedo…
Carla: Por que existem pessoas que se destacam mais no meio? É pela quantidade de modificações que tem, é pela idéia, por que isso ocorre?
Thiago: Acho que vão ter vários assim, na verdade. Tem o profissional que trampa legal, que vai ser reconhecido e aí ele vai virar tipo, meio que ícone no meio, e aí a gente vai ter ícones mundiais e nacionais, vai ter a galera entusiasta, que vai fazer muita coisa, muita, muita coisa e aí vai virar um ícone de extremidade assim… A idéia vai estar mais ligada ao profissional do que ao
entusiasta. Como te falei, tem gente que vira celebridade do meio, mas eu me pergunto o que a pessoa fez? Ah, ela tem um trampo legal na perna” e eu pergunto: e? o que ela trouxe de inovador pro meio? “Nada, ela é legal, ela é bonita”… Pode acontecer do entusiasta ser reconhecido e o profissional de muito tempo não.
Carla: Agora queria que você falasse um pouco da performance. Performance  por si só, performance com Body Modification, como elas se relacionam? O que você pensa sobre, que tipo de performance faz?
Thiago: é… então, a performance vai estar dentro da Body Art, sendo que ela pode usar elementos da Body Mod, por exemplo a Orlan, que uma série de trabalhos dela, são em cima de cirurgias plásticas, então eu acho que é só nesse sentido que a gente pode dizer. Outra coisa legal que a Body Mod dá na performance são as possibilidades, por exemplo, eu fiz uma performance que eu construí o  sistema venoso externo artificial, e eu usava os buracos novos que eu tenho no corpo, eu passava o caninho pelo nariz, pelo buraco da orelha de dentro, pelo mamilo, então é toda uma construção externa artificial que só foi possível porque eu tenho modificação corporal, pra fazer até a discussão que eu queria, sobre a artificialidade do corpo, então acho que nesse sentido dá pra puxar a
Body Mod. Ahn… só. Agora a performance pra mim, ela vai surgir como forma de contestação, ela vai nascer lá no pós segunda guerra
como forma de contestação, e mesmo quando eu comecei sem saber muito,você não começou comigo na FMU né? (Estudamos moda juntos) Começou na FMU de uma forma muito pitoresca assim, é, mas eu gostei da coisa pelo pouco que eu tinha visto, e aí corre atrás pra poder saber né? Então a primeira performance que eu fui fazer lá na FMU, eu fui discutir o consumo de pele dentro da moda, e aí, que é legal, eu entrava com a boca costurada e eu ia soltando as costuras da boca, com a boca livre eu começava a fazer alguns
cortes no corpo, e com o sangue eu escrevia peles e fazia um X. Ok. Cortei o corpo, sangue, guarda isso, e aí eu me empolguei com o sangue, então ficou muito sangue. Tinha um monte de bichinho de pelúcia da Parmalat todo fudido, pendurados em ganchos e eu arrancava eles e blábláblá, andava entre os alunos da sala, sangrando. É… dava a volta, colocava os bichinhos do lado, sentava e me cobria com o tecido que eu tinha escrito peles. Ok. Acabou a performance, pra mim, foi meu primeiro trabalho e correspondeu a minha expectativa, a professora passada. A sala inteira também passada, e aí eu recebi uma informação da diretoria lá da faculdade, da Romy, que eu poderia fazer as performances, mas que eu não envolvesse mais nenhum tipo de fluido corporal. Porque lá não era uma faculdade de arte, era uma faculdade de moda. Fiquei muito puto cara, aí poxa, eu trabalho com corpo, a performance, gente, ela nasce disso, um monte de artista… já vi cara que se matou em alguns trabalhos. Outros sangram, isso é o nascimento da performance cara,… E aí eu fui proibido de fazer. Aí eu usava o sangue em outras formas, tubinho, desenhando, não deixei de fazer isso. Eu nunca ia deixar, mas foi meio chocante pra mim… E até o que eu tava te falando, eu senti que existe uma resistência com a performance quando ela envolve extremos e envolve fluídos corporais. Agora quando é bonitinho, dançado, ok, é aceitável. As outras performances que eu fiz sempre vão estar nesse mesmo contexto, eu fiz uma outra sem a coisa do tempo, que eu também tava com a boca
costurada, eu gosto de boca costurada né? E aí era show de uma banda e eu entrava no meio do show com um monte de frases em papéis, frases libertárias, anarquistas, e aí eu ia jogando nas pessoas, ia grampeando em mim, ah, e eu tava de terno e gravata, aí eu tirava como se eu tivesse me sufocando, começava a puxar o fio da boca e começava a sangrar muito. Acabava o show, acabava minha performance. Então sempre tem umas discussões meio que políticas e blábláblá. Meio que bastante até. Teve uma
que foi bastante particular que eu fiz com suspensão corporal até…
Carla: Tem um lance de performance envolvido no ritual de suspensão né?
Thiago: Tem… Mas eu comecei sem fazer, sem nem nada, sem consciência de nada. Eu queria experimentação corporal. Aí eu fui e fiz minha primeira suspensão, até a terceira foi só experiência, daí eu comecei a elaborar os trabalhos de performance envolvendo a suspensão corporal também. Quando eu fiz 25 anos eu queria marcar essa passagem com uma performance que seria ritualística assim, aí foi o “Rebirth 2.5”. E aí eu ficava suspenso em posição fetal, aí no momento em que estivesse subindo começava a tocar um
monte de música que marcou minha vida, isso com incenso em todo o ambiente, sândalo, pra repartir com o público que tava ali as sensações minhas, então a audição, o olfato, eu trabalho muito com sentidos, acho que é uma forma de entrar no público assim… de passar a mensagem mesmo. E aí tava lá brincando com a coisa dos sentidos e eu suspenso, tinha um círculo de
tecidos brancos em volta e a galera começava a escrever cada um uma palavra pra mim, para a nova vida que eu ia começar a partir daquele momento. Foi doido, porque eu comecei a ver umas palavras assim, tipo… e me emocionar com a coisa, e eu segurando o choro, porque eu pensei “se eu chorar, tem gente que nunca tinha visto suspensão, tem gente que vai achar que eu to sentindo dor, e não era isso, eu tava ficando emocionado e queria chorar, porque tava tudo muito lindo. E aí eu lá segurando o choro, foi punk… E
aí quando eles acabavam de escrever eu descia. Foi foda! E essa foi muito pessoal, que não teve nenhuma discussão política. Foi no sentido de repartir minha vida com os outros e ter uma nova vida, nascer e morrer da mesma…Orlan! E acho que é isso de performance né?
Carla: Conte-nos sobre o Project Ang3l, o livro, o site…
Thiago: O livro vai nascer assim de várias vontades minhas, primeiro porque falta material, você sabe disso. Falta muito material a respeito da Body Art, da Body Modification nacional, ele nasce da vontade de colaborar com isso. E aí seria uma série de performances que estão sendo registradas por fotos, e aí vamos fazer um monte disso e colocar num livro. E aí as performances em si estão dentro do que eu costumo trabalhar, o extremo e as discussões, então pra começar eu queria… O Project Ang3l, a idéia do anjo, mas o anjo padrão, então eu fui lá buscar o anjinho loirinho, pele rosada, por mais que já tivesse algumas interferências corporais também eu tava ali, dentro do que é posto pra gente como um anjo. O tipo de anjo tradicional. Ok. Aí eu fui, aí eu coloco essa
parte como o gênesis do trabalho. Feito isso, eu queria passar por um processo de purificação, que seria uma performance também, mas pra dar andamento nas outras partes assim, aí eu busquei em um ritual hindu, que é o Khavad, que é um ritual pra Shiva, que eles colocam várias lanças no corpo e andam e blábláblá, puxando disso chama a playspeers, que aí você pode usar as lanças
de várias formas, não com a estrutura do Khavad em si, deitado, sentado, da forma que você achar melhor. Aí eu fui pra Campinas, na verdade em uma correnteza, um lugar muito bacana pra coisa da purificação que eu queria discutir, a coisa da natureza blábláblá. Lá eu fiz a performance. Então era tudo muito simbólico, as flores, o cheiro, sempre trabalho com isso, e aí eu ficava deitado sobre umas rochas e aí atrás de mim ficava passando a correnteza, e aí nisso iam sendo colocadas as lanças no meu corpo, uma a uma, uma a uma,
na perna, nas costas. E aí conforme você vai respirando a lança vai entrando no corpo, e quanto mais você fica, mais ela vai entrando no corpo. Aí eu fiquei até meu limite que foi uma hora, uma hora e pouco. E na verdade eu saí nem
por conta das lanças e sim por conta do frio, tava ficando inteiro roxo, então saí, acabei. Foi muito bacana, e como eu nunca tinha feito e eu era apaixonado por essa técnica, a sensação de purificação foi atendida total, total. Eu voltei assim… Meu Deus! E sei lá, é um momento que a gente, tem pouco tempo, a gente pára pra reparar na respiração, e aí é como, ou você respira direito, ou vai
sentindo mais as lanças, é uma paz de espírito muito profunda que você alcança. Aí foi muito legal, aí as outras partes do trabalho…
É… tem a parte que vou discutir os cinco sentidos, mas aí a discussão é a seguinte, na sociedade contemporânea, corrompida pelo capitalismo, as pessoas, elas se alienaram tanto que elas perderam o contato com a coisa dos sentidos assim, eu falo que as pessoas estão anestesiadas. Então a idéia é mecanizar o corpo pra recuperar o que a gente tem de orgânico, que é o mais natural da gente assim. Então é… da parte que eu já fiz por exemplo, eu fiz uma scar sobre o olho e aí o sangue ia escorrendo sobre o globo ocular e
blábláblá, e era como se eu tivesse expandindo a questão da visão. Aí vai ter também o olfato, que eu vou fazer um punch
dentro do septo, remover numa tacada só e alargar mais as laterais do nariz, como se eu tivesse realmente ampliando minha capacidade olfativa. No paladar eu vou abrir mais a língua, mais possibilidades assim. Da audição eu vou aumentar os alargadores, como se eu tivesse realmente mecanizando meu corpo pra expandir os sentidos. A idéia é, desenvolvendo meus sentidos, mas fazendo as pessoas refletirem sobre os delas. E o tato eu quero discutir através das marcas corporais, da escarificação que vai te dar outra textura, é muito bacana porque to fazendo bem na questão das asas. E aí tem a pele normal e tem a scar que vai ficar super alta. E aí eu ainda quero fazer no braço também, implantes, então onde tem as bolinhas, depois eu quero colocar bolinhas de verdade, pra ficar a coisa do tátil mesmo. Quero discutir também a questão do gênero sexual, a idéia é, como eu quero passar do humano ao pós-humano, a idéia é que eu seja um transexual, não no sentido de querer virar mulher, mas no sentido do sexo além, não é nem homem nem mulher, “what a fuck?” é o it né? Não é nem he nem she, é o it. (risos) Então vai ter uma discussão sobre isso também. O que vai ser bacana, vão estar entre a discussão de masculinos e femininos. Tem a do braço que é Connection 0.0 que é, na verdade o 00 junto dá impressão de 8, infinito que é deitado. A idéia é de como se cada pessoa fosse um ponto e de que se elas tiverem consciência de que todo mundo está interligado, é um todo né?
Carla: Você ta discutindo individualismo né?
Thiago: Exatamente. Poxa, a coisa mais comum que tem é a coisa do elo né?  Você conversa com ele, ele conhece alguém que já te conhece. Se for pensar mais além. Isso vai despontar questões raciais, superioridade de raça, porque racismo com base em que? Principalmente no Brasil, sexual, porque “ah, ok eu sou homofóbico”, mas aí você conhece alguém que de repente foi pra cima de
você que é homossexual e aí… Então eu quero despontar várias discussões através deste trabalho. E aí eu vou chegar depois no final dele e quero retomar um passo de cada, do processo que eu passei, e aí vai ser a colocação do pós-humano em si. E aí fecho. Era pra eu ter terminado ano passado, só que aí o fotógrafo teve alguns problemas uns problemas pessoais e não tava conseguindo fazer as fotos, e aí eu fiquei esperando por ele, só que não dá mais pra esperar por ele, e vou dar continuidade agora sem ele.
Carla: Você pretende escrever os textos também? Dar uma introdução sobre cada processo do trabalho?
Thiago: Sim, pra ter sentido as discussões, ou pelo menos um memorialzinho  de cada performance, cada modificação, vai ter. O Project Ang3el é isso, e ah! Eu quero fazer um livro e junto com o livro eu quero fazer uma exposição, porque é a discussão que me incentivou a fazer, incentivou pessoalmente, a falta de material. Poxa, a gente teve exposição em 1998 sobre piercing no Mis
que ninguém sabe, e não tem mais nada, mas não tem mais porque a galera não se interessa. Então na verdade é ir colocando até que uma hora a galera fale: tem! Então vamos freqüentar. Então eu acho que é como começou o movimento, se for pensar em movimento,   dava pra contar quantas pessoas tinham piercing anos atrás, hoje é impossível contar. Eu acho que a gente pode chegar a milhares de pessoas que queiram pensar o corpo e não ficar só no âmbito da academia, que seja parte do cotidiano para que possa haver uma
evolução mesmo da coisa. Acho que é isso.
Carla: Há alguma ligação entre a Body Modification e erotismo, pessoas que procuram com essa intenção?
Thiago: Vou falar no particular e depois no geral. Olha, eu sou bastante  assexuado, bastante. Só que é muito doido assim… A modificação corporal me liberta de um monte de amarras da minha relação com o corpo. Eu era muito, muito, muito tímido, perna fina, muito branco, muito magro, cada hora era um tipo de complexo que eu tinha e a modificação corporal me limpa disso. E aí
sexualmente pensando, só essa limpeza já foi significativa demais, eu estar bem comigo para estar bem com oura pessoa. E isso pode ser muito particular, por exemplo, a barriga, não tem nenhuma ligação com nada, mas enfim, eu acho que depois que eu tatuei minha barriga, por exemplo, ela ficou muito mais sensível; o piercing do mamilo, total mais sensível; a língua repartida. Então são vários elementos que vão colocando um certo fetichismo sabe? Mexe com a sensibilidade do próprio corpo. E aquilo que te falei, a Body Mod
possibilita novas coisas não é? Então por exemplo, em uma festa de fetiche que eu fui, o menino que tava fazendo uma sessão de
shibari, com amarrações e blábláblá, e a mestra dele tava fazendo uma amarração genital nele. E ela viu um piercing na glande, então ela usou a argola pra fazer uma amarração nova lá, se ele não tivesse a argola no pau não daria né? (risos). Possibilita novas
coisas, eu acho que não é tão particular a sensibilidade do corpo, eu acho que realmente…
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Comments
One Response to “Entrevista sobre body modification, body art e performance”
  1. Victor Sá disse:

    Olá, Meu nome é Victor e sou jornalista. Estou produzindo uma série de matérias especiais sobre cirurgia plástica e acho que seria interessante falarmos um pouco de body modifican. Alguém poderia me ajudar? Li a entrevista com o Thiago e achei ele bem interessante. SE pudessem me ajudar nessa. Meu telefone para contato é 3131-7397 e meu e-mail vocês tem, certo? Desde já agradeço, abs, Victor

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