Do I Know you?

Como sempre escrevo por aqui, apesar de nos últimos anos eu ter me tornado um heavy user do Facebook , frequentemente penso em apagar o meu perfil e viver a minha vida de um modo mais offline. Já tentei algumas vezes, a primeira foi um fiasco completo, voltei em poucos dias e sofri de abstinência…
Na segunda vez eu consegui me desapegar completamente e fiquei bem. O problema é que hoje todas as pessoas utilizam o Facebook como meio de comunicação… Não ter Facebook é reduzir muito as possibilidades de contato e interação social. Para mim, que já sou um sujeito estranho, sozinho, caseiro e que quase nunca sai de casa a coisa se torna mais problemática ainda…
Sinto como se tivesse dado um tiro no próprio pé ao virtualizar demais as minhas relações sociais. Tudo bem, se for isso, é o preço que tenho que pagar…

Talvez pela grande quantidade de tempo que eu use o Facebook diariamente, me sinto bastante invadido e controlado. A sensação é estranha e desconfortável deveras.
Engraçado que quando eu escrevia coisas profundamente pessoais em meu Fotolog ou interagia no Orkut, não tinha essa coisa de sentir como se fosse uma invasão… O que mudou? Talvez seja reflexo de estar envelhecendo e ter uma cabeça diferente hoje, daquela que tive anos atrás… Eu mudei muito. Agora sou uma coisa que nunca pensei que fosse ser. Tem a parte boa e a ruim, sendo que a segunda é barra pesada. Só eu sei.
Mas será que realmentes sou eu o problema? Será que de fato o Facebook não é invasivo em sua formação como rede social? Quiçá um pouco dos dois…

Preciso falar sobre uma das coisas que tem me incomodado profundamente desde que passei a questionar os prós e contras em manter uma conta no Facebook. Estou falando da quantidade de “amigos” que uma pessoa pode ter, no caso, a que eu tinha. Bem, antes de deletar o meu perfil eu tinha o limitado número de 5.000 amigos e em torno de 700 pessoas como seguidores. Não tinha mais amigos porque a rede social limita a 5.000. Caso contrário, quem sabe o número que eu poderia ter… Okej, qual o problema disso?
Bem, começa pelo fato de que desse número absurdo de pessoas que eu tinha como “amigos”, a minha interação se limitava com alguns poucos conhecidos e outros poucos desconhecidos…
O problema maior foi quando me deparei com pessoas aparecendo na minha timeline que nunca, jamais, eu teria relação alguma fora da internet ou em qualquer ambiente imaginável. Os exemplos vão desde pessoas que defendiam a Ditadura Militar, passando por neonazistas, centenas de homofóbicos e por aí segue a lista de figuras repulsivas… Repetindo: nunca eu manteria nenhum tipo de relação com pessoas do tipo. Então por que diabos eu as teria como amigxs no Facebook?
Comecei a ficar preocupado e prestar mais atenção nas pessoas com quem teoricamente eu estava me relacionando virtualmente… Passei a recusar sistematicamente os convites de pessoas que eu não fazia ideia quem eram… O resultado? Bem, em torno de 2.000 pessoas deletadas…
Sabe o que é você entrar em um perfil e não reconhecer, ver o nome e não reconhecer, olhar as fotos e não reconhecer, pensar se algum dia trocou alguma palavra que fosse com a pessoa e chegar a conclusão que nunca… Para que manter algo tão sem sentido assim? Para números? Dispenso, obrigado.
Digo dessa forma, pois além dessas pessoas serem completas desconhecidas para mim, acabo recebendo menos atualizações de pessoas que de fato conheço e que eu poderia ter relações mais interessantes… Talvez não, nem quero idealizar em demasia, mas me sentiria melhor saber que estou acompanhando pessoas que significam alguma coisa para mim.

Não vou nem mencionar os “amigos” que escrevem em idiomas que sou incapaz de compreender uma palavra. Que além disso, igualmente nunca tive nenhuma interação, além a de aceitar como amigx em algum momento que eu não me preocupava com essas coisas todas.
A lógica de uma rede social deveria ser a de socializar, então…

Cabe pontuar que a maioria dos estranhos que venho deletando, em sua maioria tem a média de 1.500 amigos para mais… Bem, a chance de que a gente possa interagir algum dia é baixa… Para não dizer nula.

Eu estou velho e mais chato do que nunca. Não quero manter uma conta em uma rede social em que estranhos são “amigos”…
Não sou um produto que precisa ser visto por muitos para ser consumido, não sou nenhuma celebridade, então, por favor…
Na minha cabeça ecoam as palavras de Bauman sobre os laços humanos, a cada vez que entro nessas reflexões, mais ainda…
Penso que essa coisa da necessidade do excesso de “amigos” está muito atrelada com o corportamento consumista da sociedade. Estou completamente tentanto me retirar ao máximo desse sistema doente.
Cada vez mais a qualidade me parece mais interessante do que a quantidade.
Que sejam poucos, mas que a rede social seja socializada de fato.

 

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