Caminhando para mais um transplante…

(…)
Falando pontualmente sobre o transplante de córnea. Bom, como já escrevi por aqui em outras ocasiões, eu tenho Ceratocone, que é uma doença progressiva nos olhos, resumidamente altera a curvatura da córnea, deixando-a como se fosse um cone e impactando na perda (igualmente progressiva) da visão. A cuvartura do meu olho direito está em 79, considerado bastante alto e por isso já fui encaminhado diretamente para o transplante.
Eu comecei o meu tratamento no Hospital São Paulo aos 15 anos de idade, momento em que descobri que era portador do Ceratocone. Tentei durante anos conter a progressão da doença com usos de lentes de contato rígidas, um sofrimento infeliz e ineficiente.  Aos 19 anos (2001) passei pelo transplante no olho esquerdo no Hospital do Olho de Sorocaba. Diga-se de passagem a cirurgia foi um sucesso e me devolveu a visão. Na época o olho direito tinha boa qualidade e era o que eu usava, com o tempo o quadro se inverteu. O olho transplantado em 2001 segue bem, a operação é sempre muito elogiada pelos médicos que a analisam, já o olho direito teve um severo avanço, inclusive tem me causado machucados na córnea.
Por mais que eu tivesse “abandonado” o tratamento, frequentemente buscava ver se surgia alguma nova técnica ou tratamento para a doença. Nessas aventuras solitárias li algumas coisas sobre o Anel de Ferrara e mas recemente sobre o Cross Linking. Ambas as técnicas se mostravam bastante eficazes e os pós operatórios mais tranquilos que do transplante. Infelizmente, pela alta cuvartura da minha córnea, as duas técnicas não servem no meu caso. Então, se é o que temos,vamos transplantar!
Como o meu tratamento desde sempre foi feito pelo SUS, sondei com a médica (que inclusive era maravilhosa!) sobre o tempo de espera da fila. Pra minha feliz surpresa, a espera ronda o tempo das consultas do pré operatório. Em abril já tenho o meu retorno para dar os próximos passos. Lembro que da primeira vez fiz uma bateria de exames e isso deve se repetir. Novamente irei pedir por anestesia geral, espero que seja possível.
Preciso dizer da minha alegria em ver como o processo do transplante está mais organizado, principalmente conhecendo a precariedade do sistema de saúde pública no Brasil. Em 2001, a fila de espera em São Paulo (capital) girava em torno de três anos, foi quando meus pais decidiram me levar para Sorocaba e lá em questão de meses fui convocado para operar.
Com a nova notícia que chegou hoje, que me encheu de alegria e igualmente de apreensão, vou precisar priorizar mais do que nunca a minha saúde física e principalmente a psicológica. Com isso precisarei reformular a minha vida, durante esse período mais do que nunca. Quanto antes eu operar, mais rápido tudo deve voltar ao normal.
Assim, não poderei marcar mais nenhum trabalho/viagem nos próximos meses por conta da falta de exatidão em relação ao dia da cirurgia. Quando eles decidirem a data, eu tenho que estar aqui e pronto.
Também terei que dar uma pausa em meus trabalhos de performance, uma vez que a maioria lida com o desgaste físico e psicológico. De agora em diante preciso tomar todo cuidado do mundo com a minha imunidade e com o meu sangue. Preciso estar com os exames bons para conseguir operar.
Mesmo as modificações corporais que eu tinha em mente, vão ter que esperar. Desde tatuagens até outras coisas mais “extremas”. Por sorte tinha marcado uma sessão da minha perna para essa semana e vai ser a última antes da operação.
Como ser inquieto que sou, provavelmente eu aproveite esse tempo para terminar alguns trabalhos mais sutis, sem contar que desde o ano passado tenho tido muita vontade de fazer uma série de pinturas e por íncrivel que pareça, a ideia incluía o uso de sangue, mas não o meu necessariamente.
Além disso, vou seguir dando as minhas aulas vespertinas…
Por fim, como sei que que logo ficarei alguns dias sem enxergar, já irei preparando boas músicas para me acompanhar nessa trajetória. Mesmo operando um único olho, nos primeiros dias ambos ficam sensíveis deveras. Só a música salva.
Bom, vamos adaptando as coisas e elas vão se realizando. Tudo o que menos quero, posso e preciso daqui para frente é passar por aborrecimentos e situações que me tirem o centro. Minha prioridade agora é passar por isso tudo e da melhor maneira possível.

Sei que meus familiares e amigos estarão me mandando forças no período pré e pós operatório e sei o quanto essa força toda vai me ajudar.
Já estou curioso para saber o quanto vou recuperar de visão, como vai ser ver o mundo com os dois olhos e essas coisas bobas todas…
Por enquanto é isso. Obviamente que irei escrevendo sobre o desenrolar desse processo por aqui.
Força para mim!

Amor, T.

Ps. Só para reforçar, normalmente eu me sinto em um açougue quando preciso recorrer ao SUS, hoje me senti tratado como gente e a sensação foi muito boa!

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Comments
4 Responses to “Caminhando para mais um transplante…”
  1. Você, querido como sempre e por muitos. E olha só, eu aqui, distante e pouco nos falamos. Tenho um carinho enorme por ti. T. rs E sabe que também estarei mandando vibrações das melhores e mais bonitas. Um grande beijo. O que estiver ao meu alcance. Conte comigo. 🙂

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