Queer com Pedro Costa

As coisas parecem se encaixar. Talvez eu que fique procurando ou querendo que tudo esteja conectado pra ter um sentido lógico ou simplesmente mais poesia. Gosto das coisas que beiram a fantasia.
As redes sociais, com todos os seus inegáveis benefícios, me fazem doente muitas vezes ou a maior parte do tempo. Eu não sei usar ou administrar o conteúdo do que vejo. Recebo de pessoas que considero amigos ou que  guardo algum tipo de respeito e consideração amostras claras de preconceito, intolerância ou apenas falta de reflexão do mundo em que vive. Talvez eu deva colocar a frase no passado, isso já me afetou demais e hoje em dia para continuidade da minha saúde mental eu deleto esse tipo de gente.
São as infindáveis piadinhas sobre os viadinhos, sobre as travestis, sobre as mulheres, sobre os pobres, sobre os gordos, sobre os deficientes… Pior quando as piadinhas de gays e travestis surgem deles próprios, por exemplo quando circulam uma foto de uma travesti com alguma frase sem sentido com o único e claro objetivo de depreciar uma figura que já sofre todos os tipos de desventuras. Ah, esse fundamento de humor me soa indigesto.
Não vou nem mencionar os ataques diretos, daqueles que não se esforçam nem para tentar disfarçar sua mediocridade. Assim atacam a união homoafetiva, a inclusão da discussão sobre a diversidade sexual na educação e chegando ao absurdo de atacarem a necessidade básica de saúde pública aos cidadãos transexuais e travestis.

Declaradamente eu não quero e não aceito perto de mim, gente que lute contra os direitos dos cidadãos LGBTs. Pessoas desse tipo não posso considerar como amigos, não consigo.Vi hoje o vídeo do Pedro Costa falando sobre teoria Queer e sobre sua própria história de vida e bateu forte quando ele menciona o fato de perder amigos. Entendi perfeitamente o que ele quis dizer, me vi ali.

QUEER with Pedro Costa from SSEX BBOX on Vimeo.

Um dia, quando eu era mais novo e cheio de fé na humanidade, acreditei que as pessoas com modificações corporais eram de algum modo especiais. Talvez esse período de crença tenha sido essencial para que eu não enlouquecesse de vez.
Acreditava que essas pessoas – tatuadas, perfuradas, com implantes – por se submeterem e irem contra as normas e regras estabelecidades pela sociedade e enfrentarem uma gama de preconceitos, pudessem ter uma outra visão de mundo. Achei que eles pudessem ter uma perspectiva melhorada, um espírito fraternal e acolhedor. Doce e inocente ilusão.
A casca, ou seja, aquilo que fica do lado de fora do ser humano será sempre e então somente a casca. Eu já havia aprendido isso faz uns anos, mas ao que parece sempre surge um novo exemplo para me dizer: olha como aquele seu pensamento era patético.

Quando eu lia Paulo Freire e via os seus relatos de rompimento com amigos por questões políticas eu não o entendia muito. Fui daqueles que acreditou um dia que amigos pudessem ser de fato amigos para todas as horas. Mas também aprendi que tão importante quanto saber andar é aprender a cair e levantar.

Que bom que existe as redes sociais para gente poder enxergar melhor quem está do nosso lado. É meio assustador no começo, mas é melhor assim.

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