Eu gosto de dançar

Eu gosto de dançar. Poucas coisas na vida me dão o prazer que a dança me dá. Quando eu danço, sinto como se tudo fizesse mais sentido. É quando o corpo encontra o seu lugar.
Gosto de sentir o sangue circulando, o ar faltando aos meus pulmões asmáticos, o equilíbrio que vem e que vai e o coração pulsando mais forte, ainda que o movimento seja quase estático… Quando eu danço, não importa o quão baixa seja a minha acuidade visual, eu uso os olhos da alma.
Tento um giro que não sei ao certo como se faz, ergo uma perna e corto o ar… Com as mãos eu toco o vento, salto e meus braços se tornam asas invisíveis e indomáveis. Ouço a melodia dos deuses… De fato eu gosto de dançar, talvez eu nem saiba dizer o quanto.
Gosto de me contorcer enquanto eu danço, é como se eu espremesse tudo aquilo que habita em mim e me esvaziasse. Um processo de renovação, quiçá reciclagem. Esses dias eu ouvi um dançarino famoso dizer que a dança o rejuvenesceu, eu acredito. Não me refiro ao rejuvenescimento apenas carnal, é algo que vai além da pele, extrapola.

Enquanto eu danço, fecho os meus olhos e sinto a presença – tão forte – daqueles que amo. Gosto de imaginar (sentir) que meu pai está sentado por ali, coçando a cabeça como ele costumava fazer, olhando tudo aquilo com aquela atenção voraz, que era só dele. Também penso (sinto) que a minha mãe está por ali circulando, olhando tudo, buscando compreender o que aquilo quer dizer. O movimento é carregado de sorrisos no coração. Talvez por isso as lágrimas. A vida encontra o seu lugar.

Sei que não tenho formação ou técnica alguma, assim como tenho plena consciência que não estudei nem a metade do que eu gostaria ou deveria. Mas senti que precisava dizer o quanto dançar me faz um ser melhor – e mais conectado com todo o universo físico e metafísico – e o quanto abro o meu peito e escancaro o meu coração em cada movimento que faço. Pode não ser muito bonito, mas é muito sincero.

“Dance, dance, otherwise we are lost” dizia a grande Pina Bausch. Eu me encontrei – e vou seguir até o meu último suspiro – através da dança e tudo se torna sustentável, simples e bonito.

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