Reflexões sobre o tal “Diário de Classe” da Isadora Faber

Bem, tudo começou com a minha amiga Maira,  buscando saber o que o grupo (colegas de graduação) achava do tal Diário de Classe da Isadora Faber. A priori eu havia pensado em reproduzir por aqui a discussão inteira, mas por hora vou apenas replicar alguns pontos.
A gente está pensando em montar um documentário sobre essa questão. Eu acredito que um artigo, um texto ou coisa que o valha, já tenha a sua relevância.
Cabe pontuar que todos que aqui expressaram sua opinião, são professores atuantes na rede pública.

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Thiago Soares
“Disso tudo, o que me causa mais desconforto é a sensação de que há um duelo entre alunos e professores (funcionários da escola pública?), o vídeo postado, os comentários que ela faz e etc. Desvalorização total de algo que já está cagado. A gente sabe que o problema é mais em cima e que a educação está caindo aos pedaços por conta de uma série de outros fatores, que não vi a garota nem chegar perto. Ela é uma criança, mas a proporção tomada é meio que assustadora. Parecem querer transformar isso numa verdade única. (…) Receio que a transformem num tipo qualquer de porta voz da educação.
(…) Todos os dias eu entro em sala de aula e fico mais da metade do tempo tentando fazer com que eles parem de gritar ao menos um pouco, parem de se esmurrar ou que parem de tentar destruir a sala, cadeira e carteiras… Não bastando, tenho que conter a invasão dos alunos de outros períodos, pessoas que invadem a escola…
É um sistema cruel e o que essa garota está fazendo não me agradou em nada.”

 

Maira Lopes
“(…) esse duelo, essa briga entre professores e alunos acaba com todo o sentido, valor ou qualquer tipo de relação positiva que a educação, que o processo educacional possa gerar.A proporção disso também me assusta e muito! Por que sempre que se discute algo relacionado a educação NUNCA escutam ou consultam professores?
Políticas educacionais são resolvidas sem professores, uma coisa como essa surge e em nenhum meio de comunicação eu vi alguém querendo saber a opinião de um professor, pelo contrário, o que mais falam é demitam logo esse professor… ele não tem pulso para controlar uma sala.Gente, somos educadores e não adestradores…
Em um aula de 50 minutos fico extremamente feliz quando consigo falar por 10 minutos, porque a todo momento tenho que pedir silêncio, pedir pra que eles sentem na cadeira, que parem de se bater, que não joguem papel, que não se matem em sala!
E isso não é porque não tenho “pulso para controlar a sala” é porque eles são 40 pulando e gritando ao mesmo tempo e eu sou uma só.”

 

Thiago Soares
Vi uma professora que se manifestou lá na página da garota e só faltou ser apedrejada. Legal? Não, triste.
Mas é essa massa “críttica” que está sendo formada atualmente. Que é reflexo de uma educação ca-ga-da!
O foco real do problema fica em segundo plano. A culpa da escola estar ca-ga-da fica no ombro dos professores, e fim. Fácil assim.”Gente, somos educadores e não adestradores…”
É ISSO!Falei pra minha mãe na primeira semana:
– Dei aula de ciências, geografia, português e inglês já…
– E você sabia o que fazer?
– Bem, a mesma coisa de sempre: tentar fazer com que eles não se matem.”

Daniel Sousa
Gostei da iniciativa da menina, mas detestei a proporção que tomou… quem esta em sala sabe que os bons alunos, quando a aula esta ruim ou vc esta dando bronca em outros ficam com aquelaa cara de “meu o que eu estou fazendo aqui”… Eu acho que deveria haver uma iniciativa nossa em algo semelhante. O problema é o corporativismo, aquela ideiazinha fascista e que a gente acha que tem que ter na educação também. A nossa fala não é ouvida porque não existe uma verdadeira união dos professores, vide o processo de atribuição pelo qual passamos. Um professor da minha escola OFa também, passou mal e se internou achando que tinhamos os mesmos direitos que os efetivos pelo menos em caso de emergencia. Ledo engano, o cara foi expulso do Hospital. A palavra é essa mesmo, pois perguntaram se tinha como ele pagar ele disse não então mesmo mal deram alta e foi por intervenção da diretora que ele conseguiu permanecer la. Essa historia não aparece no Fantastico.Já repararam que professor é uma profissão que sempre aparece em novelas ? Na cabeça dos homens de midia a explicação é que outras profissões os caras reclamam quaando surgem polemicas envolvendo personagens, já no caso de um professor(a) como pode ser “qualquer um” ninguem liga e esta lá na “malhação” a professora de Educação Fisica gostosa que atrai a atenção dos meninos e segue o desfie de estereotipos: o professor de Historia e ou tem que ser o doidão pra chamar a atenção; o de português vidrado em poesias e outras bobagens mil.”

 

Andressa Serena
“Eu não gostei das proporções que isso tomou também. Parece que a menina colaborou com a expulsão de um professor de matemática. Fizeram um abaixo assinado para o professor sair, a representante da secretaria da educação foi até lá e concordou com a demissão do professor. Eu não sei o que ele fez, mas eu realmente não acho que é assim que se resolve as coisas. Não gostou dele e aí faz um abaixo assinado e manda o professor embora?”

 

Thiago Soares
“O texto mais COMUM: “professores que não querem ensinar!”Isso machuca cara, na moral…”

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Comments
4 Responses to “Reflexões sobre o tal “Diário de Classe” da Isadora Faber”
  1. Estamos juntos nessa. ❤

  2. O maior problema que eu vejo, SEMPRE, e nesse ninguém fala: NÓS NÃO SAÍMOS PREPARADOS, NEM SEQUER FORMADOS OU INFORMADOS O SUFICIENTE PARA SERMOS PROFESSORES. QUEM SAI COM DIPLOMA DE LICENCIATURA EM QUALQUER COISA QUE SEJA NÃO SAI COM DIPLOMA DE PROFESSOR, SÃO DUAS COISAS DIFERENTES. A FACULDADE, POR MELHOR QUE SEJA, NÃO TEM CONDIÇÕES, ATÉ HOJE, DE FORMAR O INDIVÍDUO PARA QUE ELE SEJA PROFESSOR. E os alunos nas escolas não sabem disso. Mas também não tem o bom senso de levar em conta o quanto é difícil estar na frente de 40 pessoas diferentes, extremamente agitadas e que mal conseguem transmitir suas perspectivas ao professor. Bem como o professor também não consegue transmitir as suas aos alunos. A falha de comunicação e de abertura para compreensão mútua é generalizada.

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  1. […] coisas são ou se tornam. Na discussão que aconteceu entre os meus amigos de faculdade sobre o tal Diário de Classe, a Andressa citou o filme Detachment. Deixei anotado o título nas minhas abas favoritas. Semanas […]



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