Aventuras no Ceará e outras histórias

Algumas palavras sobre a minha aventura em Fortaleza, Ceará.
Cheguei por lá na sexta-feira por volta das 16:00 e alguma coisa. O Thiago (NuAct Produções) e a Débora (namorada dele) já estavam me esperando no aeroporto. Ele avisou que um dj que vinha da Áustria estava no mesmo voo que eu. Quando o Dj se aproximou o reconheci na hora e comecei a me sentir num filme do Guy Ritchie, tipo “Snatch – Porcos e Diamantes”. rs
Explico: quando estava descendo do avião, um garoto parou pra que eu pudesse sair do meu assento. Olhei pra ele e sorri como quem diz obrigado e ele tinha uma fisionomia de extrema simpatia, e fez como quem respondia de nada. Imaginei aquelas paradinhas que acontecem no filme, que surge uma foto com o nome e o narrador fala a ficha do personagem. Eu ria em pensamento.
O dj era o Andy, que é conhecido como Materia. Um famoso produtor de trance.
Anyway, fomos lanchar e de lá já nos dirigimos pra fazenda que aconteceria a festa, localizada em Iguape Novo, um pouco afastado do centro de Fortaleza.

Chegando lá fiquei maravilhado com a beleza do lugar. Muitos coqueiros e árvores em um chão de areia… A decoração flúor me lembrava as Raves que eu costumaba frequentar anos atrás. Logo encontrei o Pedrim, abraço de quebrar costela e sorrisos, muitos sorrisos!


Fui me aconchegar, guardar malas e havia muito gente trabalhando por lá. Galera super do bem, agradável, simpática. Eu todo deslocado e absurdamente tímido, aos poucos tentava me soltar mais. rs

Fiquei conversando com o Andy um pouco, na verdade conseguia compreender tudo o que ele falava, mas sofria pra conseguir usar meu limitado inglês. Logo fomos dar um passeio pra conhecer o espaço todo e depois era a hora do cochilo antes da festa.

Eu estava feliz em ver como funcionava o making-of de uma festa de trance, é um trabalho absurdo. Mas a galera parecia estar se divertindo muito.

Dormi um pouco, acordei e nisso chegaram os outros djs gringos com quem eu dividia o quarto. Galera do bem!

Fui com o Pedrim resolver as coisas da performance. Queria ver a árvore que estaria comigo. Fomos caminhando para um lugar um pouco mais retirado, mas próximo do Main Stage, tudo escuro por lá. Quando o Pedrim ligou a lanterna surpresa: a árvore estava exatamente decorada como eu havia comentado com ele. Fiquei emocionado!

Voltei para o quarto pra dormir. Acordei umas 3:00 pra começar a me preparar para a ação, nisso o Pedrim chegou pra me acordar. A gente estava num grau de conexão que não sei nem dizer. Ele foi arrumar as coisas pela árvore.
Eu iniciei os alongamentos com cantigas. Era um ritual que começava.

Preparei tudo, fizemos as perfurações e nos primeiros raios de luzes do dia, invoquei meus fantasmas e deuses e começamos.
Cabe mencionar que quando as pessoas (do público da festa) souberam que teria uma suspensão corporal na festa, se mostraram resistentes e não muito felizes pelo facebook. Como além de performer sou um pesquisador da prática, essas reações todas foram muito interessantes. Estava curioso pra saber como seria por lá. Se o trabalho seria completamente ignorado ou o que.
Pra minha surpresa quando comecei a caminhar até o local (passava no meio do main stage) as pessoas se mostravam inquietas e curiosas. Em uma festa com centenas e centenas de pessoas (estima-se que passaram por lá umas 3.500 pessoas), poucas dezenas se aproximaram pra ver de perto, mas pra mim já foi um ganho.
Até porque era uma festa rave e a galera estava em outra vibe, se é que me entende. rs
Quando me ajoelhei, fui saindo dali… Ao passo que meu corpo ficava preto, saia mais ainda de mim.
Lembro de ter erguido meu braço para o céu para pintá-lo e pensei com muita força: essa é pra você Marcus, esteja comigo aqui.

Tudo correu bem e como eu queria.

Acabando a ação, tomei um banho gelado infinito e fui me deitar. Não sei que horas eram.
Fui acordado pelos gritos do meu Pedrim. Conversamos um pouco e lá fomos nós para la fiesta.
Festa trance é pensar nos anos que ficaram pra trás e lembrar dos meus amigos.


Curti um set, dei uma endoidada e quando o sol bateu forte fui para o quarto. Deve ter sido nessa hora que escrevi no face:

“To aqui no festival em Fortaleza, o dia ta lindo e bem quente… Agora to deitado lendo no quarto com o ar condicionado no talo, ta tudo bem. Entrei no face pra ver se via alguma mensagem do MV falando que tudo aquilo nao se passava de uma performance. Acho que eu iria rir um bocado. Mas nao, parece que ele partiu, assim, a francesa… Hoje 5:00 eu performei aqui e coincidentemente o nome do trabalho era “black”. Estive/estou em estado de luto poético e performativo, te dedico a aktion de hj bee… ♥ RIP”

Não contei para ninguém de lá que tinha perdido um amigo. Guardei comigo.
Quando a festa acabou, foi hora de comer direito, sentar pra conversar na beira da piscina e dar risada. A noite do Ceará é linda, potente, poética…
O cheiro é bom e vou sentir falta, assim como da brisa que batia na minha nuca.

Acordamos cedo no domingo. Café da manhã com os sobreviventes! Rs
Almoçamos juntos, dia de relaxar na piscina e dar mais risada…

Queria ter tido tempo de andar pela cidade, conhecer as praias e tudo mais… Mas vai ficar pra uma próxima. Um dia eu volto com tempo e que não tarde.

Cheguei hoje em SP. Matei a saudade da dona mãe, dona vó, senhorito Daemon… Contei como foi a viagem enquanto comia o temperinho caseiro e degustava seus aromas familiarmente peculiares. O corpo cansado precisava de repouso. Apaguei, mas antes disso fiquei pensando nas belezas do Ceará. Pensei com muito carinho nas pessoas que conheci por lá e que me receberam tão bem e que fizeram de tudo pra me deixar o mais confortável possível. Gentilezas tantas. Esbocei um sorriso ao lembrar dos abraços do meu amado Pedrim Moicano, que definitivamente quase quebram os meus ossos. Iiiiiiiiiiiiiiii gatão!
Encantado com a organização da equipe NuACT Produções e com a festa Entrance Aquarius. De encher os olhos e é tamanha a minha gratidão pelo convite em participar dessa edição com eles!
Performar por lá foi como um sonho concretizado. Ainda que este trabalho pedisse uma dose alta de introspecção, sei que algumas pessoas puderam se comunicar com a ação e comigo. Eu buscava com este trabalho me ausentar – ainda que estivesse lá fisicamente – e de fato consegui, até mais que isso eu diria.
Como eu disse antes e repito aqui, dedico esse trabalho em memória do meu amigo MV, que deixou esse mundo na última quinta. Foi – especialmente – para ele que dancei em transe, lavado em um preto reluzente.
É, há muito o que pensar, suspirei fundo, tossi e meus olhos se fecharam felizes. Dormi em harmonia e em paz.

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Comments
2 Responses to “Aventuras no Ceará e outras histórias”
  1. Que lindo, que bom que curtiu essa experiência.

  2. Enzo Sato disse:

    Que mega inveja!!! Rss

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