Indiferença, não mais!

“O oposto do amor não é o ódio, mas a indiferença.”
Érico Veríssimo

“O que me assusta não são as ações e os gritos das pessoas más, mas a indiferença e o silêncio das pessoas boas.”
Martin Luther King

“O maior pecado para com os nossos semelhantes, não é odiá-los mas sim tratá-los com indiferença; é a essência da desumanidade.”
George Bernard Shaw

Todos os trabalhos que escrevo, o faço despido de indiferença. Em todos eles eu me dou por inteiro e me coloco por completo. A “minha” arte é uma nudez total daquilo que eu sou. Não há muita distinção entre vida e obra. Não trabalho com personagens.
Já dizia Simone de Beauvoir que “não se pode escrever nada com indiferença”, eu acredito fielmente nisso. Se nós, como cidadãos e agentes históricos que somos, escrevemos as linhas das nossas próprias vidas, não podemos fazê-lo com indiferença. Nesse sentido comungo do pensamento de Friederich Hebbel e creio que “viver significa tomar partido“.
A tentativa fugaz de ser neutro em alguns casos soa como covardia ou quando não, com o consentimento do discurso do opressor. Questões como o racismo, sexismo, especismo, escravismo, xenofobia, transfobia e homofobia são alguns exemplos de casos em que a indiferença tem um peso incomensurável. Os efeitos da indiferença estão todos soltos por aí.
Gramsci no livro “Convite à leitura” e com o seu ódio confesso aos indiferentes afirmou:

“Alguns choramingam piedosamente, outros blasfemam obscenamente, mas nenhum ou poucos põem esta questão: se eu tivesse também cumprido o meu dever, se tivesse procurado fazer valer a minha vontade, o meu parecer, teria sucedido o que sucedeu? Mas nenhum ou poucos atribuem à sua indiferença, ao seu cepticismo, ao fato de não ter dado o seu braço e a sua atividade àqueles grupos de cidadãos que, precisamente para evitarem esse mal combatiam (com o propósito) de procurar o tal bem (que) pretendiam.”

Esse trabalho busca questionar e provocar a reflexão acerca da transfobia e homofobia no Brasil. Mas que abre espaço para reflexão de todas as questões citadas acima e não então somente no Brasil, uma vez que infelizmente essas barbáries estão espalhada pelo globo feito uma praga.
O grande problema da homofobia é que a sociedade tende a achar que é um problema exclusivamente do sujeito homossexual. Um bom exemplo da falácia que essa premissa sugere é o holocausto proporcionado pelos nazistas. O genocídio judeu foi um atentado contra a base de vida de toda a humanidade, independente de ser judeu ou não. Assim como o racismo é um problema de todos, não só de quem é negro. Assim como a violência contra a mulher é um problema de todos, não só de quem é mulher.
Sendo assim, você não precisa ser homossexual para entender o quão nefasta é a homofobia e consequentemente se posicionar, sim tomar partido como propõe Hebbel. A homofobia é um problema de todos e quem se cala diante desse mal está contribuindo com a sua manutenção e perpetuação.
Aparentemente a política brasileira vem tratando a homofobia com uma certa indiferença. Há políticos que afirmam que a homofobia nem existe no Brasil, o que demonstra não só indiferença, mas como eles menosprezam a inteligência do povo.
Não somos parasitas do sistema e tão pouco estamos anestesiados. Não aceitamos mais que haja atentados contra a vida e pedimos em um único tom: basta à homofobia.
Indiferença, não mais…
Nunca mais. Vivo.

“Quando os nazistas levaram os comunistas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era comunista. Quando eles prenderam os sociais-democratas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era social-democrata. Quando eles levaram os sindicalistas, eu não protestei, porque, afinal, eu não era sindicalista. Quando levaram os judeus, eu não protestei, porque, afinal, eu não era judeu. Quando eles me levaram, não havia mais quem protestasse”
Martin Niemöller (pastor luterano alemão)

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FICHA TÉCNICA
Título: Indiferença, não mais!
Autor: T. Angel
Performer: T. Angel
Textos: T.Angel
Duração: 3 meses
Ano: 2012

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