São dois para cá, são dois para qualquer lugar…

Questão: “O que te motiva a performar?”

“Art is not merely an imitation of the reality of nature, but in truth a metaphysical supplement to the reality of nature, placed alongside thereof for its conquest. ” – Friedrich Nietzsche

Desde a minha primeira performance em 2005, sinto que o pressuposto sempre foi o de usar  a arte como um ativismo político, social e cultural. Cada peça é um manifesto. É a forma de dizer e mostrar como eu sinto sobre determinadas coisas. A posteriori é possibilitar que outros reflitam sobre determinados assuntos, com base na ação que me proponho executar. Sexismo, racismo, especismo, fanatismo e tantos outros “ismos” fazem parte daquilo que confronto com reflexões e ações.
Ainda sobre o que me instiga performar, não posso deixar de mencionar o sentimentalismo sagrado ou sobre as formas com que sinto o mundo com o coração. Das influências das pessoas que vivem aqui e das outras que habitam sabe-se lá…
Assim, honestamente sinto que em minha jornada de vida haveria duas vias bem diretas: o suícidio ou a arte. O que me motiva a performar é o mesmo que me motiva a viver.

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Com base na questão acima criar um solo para o curso de Experimentos em Performance I:

Sobre:São dois para cá, são dois para qualquer lugar…” é uma ação que flerta com o pensamento de Saramago em “Ensaio sobre a cegueira” e os escritos de Hobsbawm sobre o breve século XX. Em um mundo apocalíptico e visivelmente desordenado, o artista surge vendado – cego – e dança a canção da miséria humana. Rodopia descontrolado sobre salto alto, cai e guarda um sorriso de Monalisa na face. Sorri da desgraça que lhe é aparentemente oculta. Entre explosões e quedas de cabeças no chão o performer sorri ofegante e enlouquecido. Desesperado.
Encontra em sua cegueira parceiros que bailam a canção.
Encontra em sua cegueira o vazio de ser nada.
Queda sobre queda. São dois pra cá… Dois pra lá…

Vídeo que acompanhou a ação:

Impressões físicas
A minha perda de visão tem sido um novo campo que tenho buscado explorar, como exemplo, as desorientações visuais da baixa iluminação ou os desequilíbrios pela impossibilidade de diferenciar níveis do solo. Estar integralmente vendado ainda causa um certo desconforto, ainda que por breves momentos. A desorientação e a perda de equilíbrio são potencializadas. As quedas eram o que eram: verdadeiros tombos. Alguns roxos em partes variadas do corpo e algumas raladas nos joelhos no pós ação.

Impressões estéticas
Tenho buscado trabalhar com a questão do gênero ou dos transgêneros em minhas performances. Assim,  o performer nesta ação faz uso de vários elementos tipicamente do universo feminino: saia de tulê, salto alto, batom.
Compondo ainda a parte estética da ação, são utilizados elementos hospitalares, tais quais fitas e ataduras na região craniana.   


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