Então eu cheguei aos meus 30 anos…

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Depois de muito protelar ou de ter esperado por uma inspiração divina, eis que consegui sentar na frente do computador e iniciar um texto. Queria muito escrever algumas palavras dedicadas especialmente ao meu aniversário de 30 anos, que acontecerá agora no dia 14 de janeiro de 2012. Dentre as coisas que decidi que queria e também as que eu não queria para o meu aniversário, punhetar algumas palavras era sempre algo que me enchia de vontades. Já quis festas, jantares, almoços, passeios e os tive em outros anos… Mas vejam vocês, dessa vez, para o meu trigésimo aniversário, um pedaço de papel para poder redigir um texto já me deixaria deveras satisfeito.
Quando eu estava com os meus 24, 25 e pra ser honesto acho que até a primeira metade dos meus 29 anos eu queria fazer algo espetacular no meu aniversário de 30. Inicialmente, claro, a ideia era uma grande festa, com música alta e bebidas multicoloridas… Depois a performance foi ganhando um espaço tão grande dentro de mim, ainda mais com a experiência do Re-birth 2.5 em 2007, passei a pensar muito em comemorar o dia do meu aniversário de 30 anos com uma ação performática… Pensava em fazer algum trabalho que representasse a minha morte, imaginava uma caixa preta escura e algo com um caixão de vidro… Muitas flores iluminadas por pequenos focos de luz, tenho uma paixão por flores, coisa de família sabe? Gosto das rosas vermelhas, mas as daisies me trazem um sentimento de alegria…
Bem, retornando… A ideia era convidar as pessoas para o meu aniversário e ao mesmo tempo ao meu velório… Na caixa preta, além do meu corpo sendo velado, haveria algumas esporádicas projeções em vídeo, com algumas frases e pensamentos meus… Pensei em um vídeo bastante minimal e clean: luz fria, close fechado no rosto e muito branco… As frases seriam curtas, mas que retratassem episódios marcantes dos meus anos.
Eu provalmente estaria nu no caixão – como não poderia deixar de ser -, coberto apenas por algumas flores… Não preciso repetir a parte sobre a minha paixão por elas, não é? Eu sei que sou meio repetitivo, eu tento não ser, juro… rs
A duração da performance poderia ser a de uma noite ou de um dia, muito provavelmente eu optaria em utilizar as 24 horas do dia 14 e as pessoas escolheriam a hora que iriam me vê-lar… Desculpa o jogo pobre com as palavras, mas não resisti…
Bem, preciso justificar a minha escolha em celebrar o meu nascimento com o simulacro da minha morte… A verdade é que durante a vida, fazemos coisas boas e ruins, magoamos e somos magoados, abandonamos e somos abandonados… Sorrimos, choramos, alegramos as pessoas e as deixamos tristes em outros momentos… Somos orgulho de alguns e a decepção de outros… É assim que é… Criamos e ao mesmo tempo criam expectativas sobre nós e isso quase sempre é meio problemático. Os riscos são sempre eminentes.
Fazemos escolhas, erramos e acertamos… Perdemos oportunidades e ganhamos marcas na vida que jamais poderíamos imaginar a profundeza com que elas poderiam nos tocar… Para o bem e para o mal… Somos tocados e tocamos… Construímos, com a delicadeza e fragilidade das aranhas que tecem suas teias, a nossa história de vida.
Havia uma grande parte de mim que precisava morrer. Alguns pedaços feios e que não me agradavam. A morte simbólica me possibilitaria isso na prática. Morto ainda que vivo para renascer em outro novo “eu”. Não sei quando, mas o plano da performance grudou tão fixadamente no papel que não saiu dele. Não para celebração dessas 3 décadas… Talvez eu morra ainda em algum outro aniversário, mas não neste…
Então, o que fazer para celebrar este dia, 30 anos minha gente? Vazio.
Assim sendo, retornamos à reflexão. Pensando ainda sobre as partes feias que quis matar em mim, meditei muito nos últimos tempos, percebi com isso que fiz muitas escolhas “equivocadas” e tomei muitas decisões que não sei até que ponto foram boas e saudáveis, no sentido mais amplo que a palavra abre de possibilidade…
Durante o ano passado – em caráter confessional digo que 2011 foi quase um completo fiasco pra mim – tinha absoluta clareza das minhas falhas, principalmente quando parava pra pensar na minha situação financeira nas vésperas dos 30 anos e quando me comparava aos outros que conheço da mesma idade que eu… Era invadido por milhares de pensamentos que iniciavam com o clássico “mas e se…”

“Mas e se eu tivesse feito daquele jeito eu poderia ter isso hoje, um carro, uma casa, uma conta gorda…”

“Mas e se eu tivesse agido daquela forma eu poderia estar terminando meu mestrado, doutorado…

“Mas e se eu tivesse escutado aquele conselho eu poderia estar viajando o mundo afora…“

Assim como a grande maioria das pessoas eu sonhei muito… Imaginava que aos 30 anos estaria com a vida estabilizada, isto é, bem empregado, bem formado intelectualmente, viajado, casado e por aí segue…  E a minha realidade é o avesso visceral disso tudo. Ter consciência disso foi como confrontar um dos piores pesadelos existencial, o da decepção que eu tinha sido pra mim mesmo durante esses 30 anos. Obviamente que todas essas melancólicas reflexões me trouxeram longos dias escuros e tristes durante os últimos meses…
Não sou muito de ficar chorando no ouvido dos meus amigos, eles sabem disso, ou tão pouco de ficar reclamando em redes sociais como se as pessoas tivessem culpa das minhas mazelas.
As pessoas mais próximas, que são bem poucas em todo caso, souberam por cima que andei meio aborrecido em 2011, mas exceto a minha mãe (que é a minha melhor amiga), ninguém mais soube o que se passou na real… Prefiro assim, lidar sozinho e introspectivamente com as minhas próprias desilusões. Na ausência dos abraços e das palavras de consolo, eu tinha um monte de memórias boas que me ajudavam a me retirar do buraco do vazio do que havia me tornado. Das lembranças felizes que menciono era bastante forte a presença do meu pai, incrível como ele está sempre comigo, ainda que não fisicamente. Eu escolhi assim, enfrentar sozinho os meus problemas.
Mas posso ser sincero? No final de cada tortuosa e penosa auto-análise, cheia de auto-culpa e severas auto-críticas, chegava a conclusão de que se eu tivesse feito tão diferente do que fiz ao longo da minha vida, eu não seria quem eu sou hoje… Isso me desperta um pouco de curiosidade, mas de medo também…
Eu seria alguma outra coisa que não eu. Não sei se melhor ou pior, mas outra coisa que não isso que sou nesse momento.
Com isso tudo, pude concluir que eu tenho pouquinha coisa na minha vida, no sentido material, bem menos do que eu deveria ter ou quase nada se você preferir a sinceridade crua, mas eu tenho um orgulho danado da minha ética e moral de vida e essa coisa que me tornei. Gosto de mim assim ou estou aprendendo a gostar. E falo isso não pra ser melhor do que alguém. Não desmereço ou julgo aqueles que preferem a vida material, o dinheiro e seus derivados ou aqueles que roubam e sobem na vida pisando na cabeça dos outros… Pra mim essas coisas todas nunca foram, não são e nunca serão importantes ou as minhas prioridades… E é tão verdade que se realmente fossem importantes, eu seria possivelmente aquele outro sujeito que me causa um pouco de medo e desconforto.
Desde os meus 7 anos de idade – ao menos é o que me lembro – que costumo dizer que só precisava ter dinheiro suficiente para morar numa casinha pequenina azul e ter meus bichinhos… Hoje não descarto nem a possibilidade de viver na rua, definitivamente é uma possibilidade dentre tantas outras, não descarto. O que mais quero e, cada vez mais estou certo disso, é poder deitar a minha cabeça, seja em um travesseiro ou um amontoado de pedras ou gramas, e me sentir em paz.
A minha busca incessante de vida é essa, a de me tornar em doses homeopáticas um sujeito melhor para esse mundo tão doente e viver em paz. Eu acredito que posso melhorar e contribuir um pouco com muitas coisas que considero erradas ou carentes e acho que esses são os meus objetivos e desejos futuros.
Nessas minhas duras jornadas solitárias de auto-análise pude encontrar lá no fundo de mim algumas coisas que me fizeram ver que não sou um completo perdedor e que existem até motivos para eu fazer o sentimento de decepção que havia se apossado de mim se afastar. Não desapareceu, mas se afastou o suficiente para me permitir respirar. Uma pausa para um longo suspiro: aaah!
Quero inspirar e expirar essa nova fase, essa nova vida…
Ainda que longe daquilo que eu tenha idealizado ao longo dos anos, estou muito feliz em ser o que sou e muito faminto para melhorar mais e mais. Daqui pra frente é buscar mais e abrir mais ainda o coração para devorar o mundo.
Quero deixar os ressentimentos de lado e celebrar o amor com aqueles que eu estimo tanto… Não preciso nem citar nomes…

Não vou ter festa, não vou ter performance, mas vou ter um dia muito bom com a minha família em minha casa, sinto isso. Sei que as pessoas que me querem bem vão vibrar muito e eu só peço aos astros que me permitam ouvi-los. Quero estar conectado com todo esse amor e carinho que partirão dos meus familiares e amigos. Estaremos todos conectados energicamente falando.

Obrigado do fundo do meu coração para todos que contribuíram com a minha formação como ser humano durante essas três décadas. Acho que já posso desejar um feliz aniversário para mim.

Junto com tudo isso, preciso mencionar e tornar público o meu agradecimento para uma pessoa que me ajudou muito – ainda sem saber – a enfrentar as tormentas diárias. Desde que ele chegou, não houve um dia em que não sorri com o coração e eu poderia contar isso tudo nos dias em que sorri muito e aqueles em que sorri o suficiente. Muito obrigado Rafael pela alegria que você me traz diariamente e principalmente por me possibilitar acreditar novamente em milhares de coisas que haviam se esvaído e ficado perdidas no ar.

Agora sim, feliz aniversário pra mim, vivaaaa!

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Comments
3 Responses to “Então eu cheguei aos meus 30 anos…”
  1. Você é lindo, sabia?

    A primeira parte do seu texto, esse negócio que a gente tem de pensar no “e se eu tivesse…” me lembrou um filme maravilhoso e que você, com toda certeza do mundo, precisa assistir. Vou te dar essa “dica” de filme como o meu presente de aniversário, pode ser? Eu espero que você goste, e aposto que gostará porque tem aquele ator de um dos nossos maravilhosos seminários: Jared Leto! Lembra dele em Requiém para Um Sonho? Pois bem, de presente de aniversário eu te recomendo assistir “Mr. Nobody” e pensar um pouco mais sobre essa nossa vida cheia de escolhas, cheia de possibilidades e cheia de rumos diferentes (você vai chorar muito!).

    No ano passado eu fiquei agoniada com você. No primeiro semestre tive uma notícia muito triste e, no segundo semestre, você sumiu. Não respondia e-mails, não respondia sms, não respondia recados de facebook ou “cutucadas”. Eu sofri com isso, porque sabia que não podia te ajudar – você sempre teve dessas de querer fazer as coisas sozinho. E foi o que você fez. No princípio, eu fiquei um pouco nervosa, um pouco chateada, mas eu sabia que você é uma pessoa tão querida e tão maravilhosa, que com certeza você iria encontrar os braços de alguém de confiança e que pudesse te ajudar de verdade – mesmo que não fosse eu. De certa forma, Thi, eu acho que amor é, acima de tudo, isso, sabe? É quando, mesmo de longe, você QUER estar presente na vida daquela pessoa, sabe? Mesmo que ela não saiba, mesmo que ela não desconfie… É você ter aquela curiosidade, aquele alívio de stalkear um blog, um facebook ou escrever um e-mail, respirar fundo e dizer: “Graças a Deus, ele está bem” (: E acredite, seu danado, eu sempre – SEMPRE – digo isso quando vejo suas fotos, seus projetos, sua vontade de estudar, quando você posta sobre os seus sonhos, suas descobertas e, ultimamente, até o seu romance, né, seu danado? (:

    Você foi a pessoa MAIS ESPECIAL que eu podia ter encontrado dentro daquela faculdade. Você foi o meu companheiro desde a primeira semana de aula, até o final. E eu fiz questão de estar com você, sempre. E espero que isso tenha ficado claro para você durante esses quase 4 anos juntos. Eu não me orgulho só de você, mas eu me orgulho de mim mesma por conseguir ter perto de mim uma pessoa assim, tão mágica como você, seu lindo. <3

    Lembro que logo no primeiro semestre de curso, ficamos brincando de tentar descobrir quantos anos teríamos quando tudo acabasse… E esse dia chegou. Olha aí os seus 30 anos, esses 30 anos tão aguardados (e não), tão planejados (e não) e tão especiais (e sim!).

    Eu adoro tudo que você foi, tudo que você é e com certeza já posso adorar tudo que você será – porque você nunca decepciona, Thi.

    Nesse dia tão especial, Feliz Aniversário (sei que ainda faltam algumas horas, mas sou ansiosa e tô de TPM, PARA VARIAR, haha!)! Pode ter certeza, bichinha, que eu serei uma pessoa que SEMPRE estará na sua torcida pela vida, sempre olhando para você, respirando fundo e agradecendo: "Graças a Deus, ele está bem!".

    Felicidade, felicidade, felicidade, meu bem.
    Feliz Ano Novo de vida, né? <3

  2. Gabriel disse:

    cara! se essa foto aí é tua, chegar aos trinta e com essa cabelera, já tá de bom tamanho. Eu ainda não cheguei e já estou “calvaço”. É uma tristeza….

    excelente texto.

    e por fim. Felicidades. :D

  3. catoalberico disse:

    parabéns.

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